
Durante quase toda a minha adolescência, pelo menos ma vez por mês meus pais passavam o fim de semana em Petrópolis, na casa do meu tio. E naquele mês de novembro, eles decidiram ir justamente na última semana que, coincidentemente, fecharia as provas semestrais. Essa seria a ocasião perfeita para uma festa com toda a turma da oitava série. Era o fim de uma etapa, a despedida do ginásio, afinal, ano seguinte estaríamos no científico.
Organizamos a festa em minha casa. Chamamos os trinta alunos da turma, além de uma multidão de “amigos próximos”, entre primos e agregados. Tudo o que precisava era pedir ao meu irmão que não desse com a língua nos dentes.
Nunca fui muito bom em conversas pessoais com ele. “Sabe como eles são”, falei. Esse era o problema. Ele sabia.
A festa começou as nove e até onde me lembro, atravessou a manhã seguinte. Foi nosso rito de passagem para o científico. A multidão de “amigos próximos” deve ter chegado fácil a casa dos cem.
Mas justamente nesse fim de semana, choveu torrencialmente em Petrópolis, o que fez com que eles decidissem voltar cedo, assim que acordassem, “pra não pegar neblina”.
Meus pais, que deveriam chegar umas cinco da tarde do domingo (“voltaremos antes de escurecer”), com a casa já arrumada e sem nenhum vestígio de festa, retornaram ao lar às onze horas da manhã de domingo...
Constatam, então, as consequências de um furacão passado na noite anteiror.
Não tenho uma idéia precisa do que aconteceu em seguida, além do fato de ouvir muitos berros furiosos da minha mãe no quarto do meu irmão.
Mas ele não contou a verdade. Não sei bem porque ele fez isso. Talvez ele tivesse visto que era inútil tentar explicar. Talvez soubesse que meus pais seriam mais duros comigo do que com ele. Talvez porque tinha esquecido e pensado que fosse ele mesmo quem tivesse feito a festa. Ou talvez principalmente porque naquela manhã meu irmão visse em mim um pouco de si.
Só sei que naquele domingo a diferença entre 14 e 21 anos tinha ficado um pouco menor.
E 30 anos depois as festas continuam dobrando a madrugada...
ResponderExcluirhuahuahua legado do meu pai... a próxima festa tá chegando...
ResponderExcluirGostei do texto!
ResponderExcluirLeandro
conseguiu visualizar a cena né huahuahua
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