Publiquei aqui no blog textos escritos quando eu tinha 17 anos. Um pungente retrato da minha adolescência. Uma época de descobertas, de despertar para a vida adulta, de amores irremediáveis, de sofrimento sem sentido. Procurava desesperadamente coisas que eu nem sabia e terminava por ver minhas ilusões se arruinarem.
Um ano longo, difuso e corrosivo, com muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Estava atravessando uma fase difícil do tipo não-sei-bem-o-que-estou-fazendo-da-vida. Não conseguia me comunicar com o mundo. Por isso escrevia. Hoje lamento não ter guardado tudo. Muitas coisas, escritas em rascunhos de papel, se perderam. Outras tiveram seu fim na lixeira. Acabei registrando as que mais gostava. Não necessariamente as melhores.
As lembranças que agora vêm à tona são como um vulcão que se derrama para fora até se tornar rocha. Tenho personalidade forte. Mas tenho também uma emoção do mesmo tamanho.


