quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Fim da adolescência


Publiquei aqui no blog textos escritos quando eu tinha 17 anos. Um pungente retrato da minha adolescência. Uma época de descobertas, de despertar para a vida adulta, de amores irremediáveis, de sofrimento sem sentido. Procurava desesperadamente coisas que eu nem sabia e terminava por ver minhas ilusões se arruinarem.

Um ano longo, difuso e corrosivo, com muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Estava atravessando uma fase difícil do tipo não-sei-bem-o-que-estou-fazendo-da-vida. Não conseguia me comunicar com o mundo. Por isso escrevia. Hoje lamento não ter guardado tudo. Muitas coisas, escritas em rascunhos de papel, se perderam. Outras tiveram seu fim na lixeira. Acabei registrando as que mais gostava. Não necessariamente as melhores.

As lembranças que agora vêm à tona são como um vulcão que se derrama para fora até se tornar rocha. Tenho personalidade forte. Mas tenho também uma emoção do mesmo tamanho.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Pilha de queixas 13

O engenheiro R. (46 anos) e sua mulher B. (38 anos) chegam para uma primeira sessão de terapia de casal. B. desfiou um rosário de queixas contra a desatenção conjugal de seu marido que, irônico, recostado na poltrona, nem chegou a protestar. Ele era o alvo das reclamações. Aproveitou a deixa e emendou com uma voz de trovoada: “Não tá feliz, vamos logo separar então”. R. é um cara ‘arretado’, uma figura agreste, um ‘bode bravo com raízes da caatinga do sertão’ em sua própria definição. Suas únicas preocupações são descobrir a melhor época para o plantio da soja ou como evitar moléstias em gado de corte. Para ele, o casamento é um tedioso compromisso que ele suporta "encharcado de álcool, graças às cavalares doses de uísque". B. confirma dizendo que o marido "bebe pesadíssimo antes de dormir e acorda de mau humor". Ele alega que a esposa "enche a paciência de qualquer um", enquanto procura uma posição mais confortável na poltrona.

Num direto processo de desconforto, onde a discussão come solta, R. causa visível mal-estar por provavelmente estar dizendo a sua verdade. B. diz que a brusca franqueza do marido “criou a sua fama de indesejável”.

R. não quer mudar. Quase tapa os ouvidos "diante de tais baboseiras" nesses intermináveis cinquenta minutos. Afirma que sempre foi assim. B. quer mudanças, isto é, ela quer que ele mude. Seria possível ? me pergunto. A que serve a terapia de casal, quando apenas um dos cônjuges está disposto a enfrentá-la ? Resposta simples e pragmática: nada. Só provoca um desgaste de energia desmedido. Tive que dar essa explicação. Ele ficou tranqüilo. Ela perguntou então se eu poderia ajudá-la num processo de separação. Agora sim. Posso trabalhar.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Folclore


O folclore que cerca Fabrizio – freqüentemente engordado pelas histórias contadas por seus amigos – alimenta o mito de que ele alcançou nos últimos anos uma singular intocabilidade. Mesmo assim, ele não se furta em dizer o que pretende, a seu modo e feitio, aos gritos ou sussuros, com fôlego para permanecer numa discussão horas a fio.

O que se diz de Fabrizio seria apenas isso – folclore – não fosse ele dono de uma luz própria. Acredito que ele carregue dentro de si um lampião.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Sim, sim, sim


Hoje acordei com o refrão: “He walks away, the sun goes down, he takes the day but I’m grown, and in your way, in this blue shade, my tears dry on their own”. Adoro essa música. Tempos atrás, em caminhadas pela praia, ouvia direto “Tears dry on their own”. Depois, parei de ouvir...

O CD “Frank” foi um presente de aniversário. Em 2006, o ano em que conheci o som de Amy Winehouse. Tenho sorte de ter amigos que me iniciam musicalmente. Depois, faço minha própria trilha sonora.

Sempre gostei de “Just friends” com o “When will we get the time to be just friends ?” e no final: “I wanna touch you but that just hurts”. Dancei ao som de “Rehab” com o “They tried to make me go to rehab/ but I sais no, no, no”. Sim, sim, sim. Já sofri de reminiscências com “For you I was a flame/ Love is a losing game” para concluir que: “what a mess we made”.

Mas minha favorita mesmo é: “There is no greater love in all the world, it’s true/ No greater love than what I feel for you”. Ainda boto fé nisso.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Olhar para frente


Luciana tirou essa foto há alguns dias atrás em Ilha Grande. Todo ano tiro uma foto igual a essa. Como se eu obedecesse a uma superstição. Gosto da mensagem. É como se eu tivesse olhando para o que está por vir. Encarando o presente e o futuro. Num domínio de mim mesmo, começo minha campanha de otimismo à luz dos novos dias que chegam. Sempre incubido da vontade de levantar vôo.

Luciana também me alertou para o fato de que essa foto pode ser encarada como um olhar para trás. Um refúgio no passado. “Depende da perspectiva”, ela disse. Engraçado. Sempre pensei nessa foto como um olhar para frente.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Infalível receita


Finalmente está pronta a infalível receita para se conseguir realizar um reveillon perfeito. Reúne-se pessoas que se gostam e que querem muito estar juntas. Adiciona-se música, champanhe e a proximidade do mar. Mistura-se isso a uma profusão de beijos e abraços acalorados. Tudo isso numa noite, ardente em seus 35 graus, semelhante a muitas outras desse verão carioca.

Só falta agora confirmar que fica mais fácil viver quando a simplicidade ocupa os espaços com mais força que os compromissos.