domingo, 27 de novembro de 2011

Jerusalém


Chegamos a Jerusalém. Não há outro lugar onde o arcaico e o moderno convivem com tamanha harmonia, onde a fé genuína e a pura fantasia se fundem nas mentes humanas mais sensíveis, com tamanha frequência. Em Jerusalém vivemos o passado, o presente, o futuro, e quem sabe, uma outra dimensão, tudo no mesmo dia. Paisagens solenes em meio a rituais religiosos. É possível pela manhã passar pelo Santo Sepúlcro (cristãos) e a tarde, ir a the Kotel (judeus) e the Dome (muçulmanos).

A harmonia porém só é geográfica. Há uma atmosfera repressora que causa desconforto.
Toda a região é tensa. Muito. Toda a tensão presente no Egito não faz frente ao que se passa em Israel. O tempo todo. Nos aeroportos, nas estações de trem, de ônibus, sempre presenciamos uma inquietação a mais. A ação e a aventura a qualquer preço, e em qualquer lugar, são mais do que uma forma de vida: uma redenção. Ao menos da boca pra fora.

Passear pela Old City of Jerusalém é permitir que o passado se abra à minha frente, deixando-me às cegas. Andar por aqueles caminhos é contar uma parábola de ressonâncias bíblicas cheia de segredos e mistérios.