
Todos os meus amigos sabem que gosto de abraços. É o meu cumprimento preferido. Sempre foi. Principalmente quando realmente gosto de alguém. Acho os tradicionais dois beijinhos muito formais. Prefiro deixá-los para uma situação de apresentação ou cerimônia. Me despeço também da mesma forma. Mais abraços.
A última vez que vi Carol, antes de sua mudança para Londres, foi no aniversário de Babi. Sentei ao seu lado e conversamos bastante. Ela me contou de um sonho que teve comigo, há muito tempo atrás, e que só naquela noite lembrou de me contar. Me contou também que ficou tão impactada com esse sonho que resolveu escrevê-lo para não esquecer e que me enviaria depois. Ainda não chegou. Carol aterrisou em Londres há quase um mês.
No final da noite, nos despedimos. Desejei-lhe boa sorte e a abracei. Carol se emocionou. Muito. Ficamos enlaçados alguns segundos. Porém, numa apressada atitude, impus vida curta ao nosso abraço. "Ainda não", ela disse. Continuamos abraçados, entre o meu riso franco e suas próprias lágrimas, até ela tomar a iniciativa.
Fui pra casa pensando nos abraços e, num flashback individual, questionei o tempo de ficar abraçado com uma pessoa. Entendi que Carol ali estava se despedindo não só de mim, mas de todos os seus amigos, para começar uma vida nova em outro país.
Foi um abraço de coragem, saudade e nostalgia.