quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Pelo mundo


Tenho um aluno que, assim como eu, gosta muito de viajar. Semestre passado, trocamos informações sobre cidades que já fomos e curtimos. Ele já descobriu também que curto uma aventura e me indicou um lugar que ele se encantou há uns dois anos atrás.

Impulsivo que sou, comprei a idéia.

É pra lá que eu vou...

“Eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome...” (Adriana Calcanhoto)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Febril


Sempre fui um garoto febril. Não tive nenhuma das doenças típicas de criança. Não tive sarampo, caxumba, hepatite. Nem sequer quebrei perna ou braço. Mas tinha febre. Muita febre. De repente, minha temperatura chegava a 39 graus, sem motivo aparente. Todo o corpo esquentava.

Não devo pintar as coisas mais negras do que eram, mas de tempos em tempos, lá estava eu, com febre, recebendo cartões de condolências da minha avó com um dinheiro no envelope.

Foi no meio de uma febre dessas que ganhei minha primeira bicicleta. Um presente do meu pai de apresse-se-e-saia-logo-dessa-febre. Foi quase um atestado de saúde. Fiquei tão feliz que, mesmo febril, dei três voltas com ela pelo corredor, até começar a ouvir os ultimatos ameaçadores da minha mãe: “Vá escovar os dentes e depois já já pra cama”.

E voltei pro vale dos enfermos.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Fabrizio


Fabrizio é minha lente de aumento. Sempre foi. Verdade que ele nunca buscou esse título. Porém, o título foi sempre seu. Acho que ele daria qualquer coisa sobre a terra para perdê-lo.

Sempre conseguiu conviver com todos os meus personagens. O garoto, barulhento e tagarela, de calças curtas e caretas infantis. O adolescente rebelde e perdigueiro. O adulto elegante e fanfarrão. Consegue conviver inclusive quando os três se juntam. Eu quase me retiro de cena.

O fato é que estou falando de verdade, sem nenhuma brincadeira. Enquanto tenho esses três, Fabrizio tem muito mais. Apenas não são assim tão delineados. Há muitos compartimentos aos quais não tenho acesso. Ele é alguém de difícil compreensão. Nem sequer sou capaz de entender o seu humor ou suas atitudes.

Já sua ironia me encanta. Mesmo quando ele a usa contra mim. Mesmo quando ele me parece implicante demais. Às vezes, acompanhado de idéias com as quais ele mesmo não concorda. Márcia e eu adoramos seus maldosos comentários, sempre num tom impassível.

Há uma última coisa que não posso deixar de mencionar. É sobre seu coração. Um coração realmente grande, de dimensões consideráveis, que nunca me deu nem sequer por um instante a suspeita que guardava algum sentimento que não fosse nobre em relação a mim.

Hoje é seu aniversário. Passo lhe a palavra e o microfone.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Adolescência 11 - Negligência


Sempre me dizem que sou negligente em terminar as frases. Que falo de forma vaga...

Pra que se esforçar para terminar as frases ?

Eles pensam que sofro de vácuo mental. Na melhor das hipóteses, tenho lacunas, ausências. Talvez tenha mesmo.

Mas pra que falar frases completas ?

A vagueza também desperta atenção

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Pilha de queixas 6

M.A. sempre reclamou de seu namorado. Diz que ele é mentiroso, tem duas caras, “um crápula sem sentimentos, tão safado que ninguém nem desconfia”. Mas o que mais a incomoda é ele não ser confiável.

Seu namorado não se dá bem com as calças abotoadas. Ela já pegou algumas de suas traições e o confrontou. Uma, duas, três, oito. Decidiu então terminar o relacionamento. Mas, segundo ela, “ele se diz arrependido novamente e anda me cercando”. M.A. está em dúvida.

Fiquei pensando. A dúvida de M.A. nada mais é do que uma carta-bomba. Sim, isso mesmo. É como receber uma carta bomba. Você sabe que é uma carta bomba e mesmo assim você abre. Ela pensa: vou abri-la, quem sabe a bomba não estoure e vire uma carta de amor.

O detalhe cruel é que ela não lembra que foi ela mesma quem mandou para si essa carta bomba.

M.A. abre a carta, fantasiando que vai ter amor ali dentro. Ela não entende – ou não consegue ver – que só quando ela mandar carta de amor para si mesma é que ao abri-la, vai ter amor.

Enquanto isso, colocando-se numa história assim - mesmo já sabendo o que virá – ela estará sempre se auto-contemplando com sua própria tragédia.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Mira quien llego


Mira quien llego. Estoy acá de vuelta despueis de uno tiempo sin escribir. Hoy no tive suerte pero mañana es un otro día. Espiero pueder escribir com mas voracidad.

Viajamos no final do ano para Buenos Aires. Cidade planejada. Me gusta. Qualidade de vida, onde podemos andar de bicicleta às duas da manhã em Puerto Madero, tomar um sorvete de dulce de leche no Freedo, sem medo de sermos abordados. No me habia dado cuenta.

Em nuestra memória, situaciónes muy divertidas - cositas que ficam marcadas: La chica hermosa Belita y la propuesta ‘espíritu festivo’ despedindo-se dos hermanitos y muchachos con una celebración de “Felicidad”. Pude ser que Belita tenga razón. Bueno, vamos com esa entonces.

Cidade cheia de charme e personalidade, excelentes restaurantes, cultura efervecente, muito alfajor, várias facetas. A mi me cíerra. Passeios matinais por La Boca e Recoleta. Tardes confortáveis no bucólico San Telmo. Noites agitadas em Palermo.

Reveillon em Puerto Madero, numa noite incrivelmente cheia de fuegos artificiales y unas luces de colores lanzadas por los aires. Brasileiros gritavam “A Argentina é nossa”. No seria uma buena idea ?

El Reveillon es el momento de equilibrar la balanza. De saber que todo yin tiene su yan. De saber que no puede ser todo lindo. Es una oportunidad de oro. No la podemos desaprovechar.

Feliz Año Nuevo a todos amicos.