quinta-feira, 25 de março de 2010

Os primeiros oitenta e seis


Dia 26 de julho de 2009, há oito meses atrás, nascia “Mesmo que nunca se aprenda”, o blog, que nada mais é do que uma tentativa de me organizar internamente. Hoje completo 86 posts.

Me apresentei como um garoto de calças curtas, febril, importunamente barulhento e tagarela. Fui um adolescente cabeludo, introspectivo e rebelde, uma rebeldia moderada, com acessos de tosse. Tento ser um adulto linear, porém sei que sou cheio de contradições e ainda nutro um alter ego adolescente e perdigueiro.

Apresentei também os personagens que mais sabem movimentar e fazer girar o meu mundo. As energias de quem amo que circulam em mim.

Vocês devem ter descoberto que sou fascinado pelas conexões humanas. Interesso-me em saber como as pessoas se esbarram, como se olham, se enredam, se juntam e se separam. O antes, o início, o meio, o fim e o depois.

Assim, acabei criando, até agora pelo menos, quatro marcadores no blog. A maioria dos post faz parte da série “Intimo e pessoal”, onde exploro os meus vários “eus”, ora dividindo-me, ora multiplicando-me.

Aproveitei a oportunidade para entrar em contato comigo aos 17 anos, publicando os textos originais que escrevi há tantos anos atrás, numa outra série intitulada “Adolescência”. “Pilha de queixas” são histórias, muitas vezes num tom sarcástico, com as quais me deparo cotidianamente no meu consultório. Finalmente, “Pelo mundo”, que também dá título ao blog. Enfim, estou feliz com a empreitada.

Ah, e se você vê gosta de ler meu blog e se identifica com algumas histórias que escrevo, é porque talvez ele já está pronto dentro de você. Não esqueça nunca que nós podemos aprender novas maneiras de ver e sentir com nós mesmos...

Embora a gente pense que está tudo “lá fora”.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Água


Dia 22 de março. Dia Mundial da Água.

Água é a palavra mais bonita da língua portuguesa. Gosto do seu som, do seu silêncio, do seu barulho, da sua força, não importa. Gosto de tudo que vem da água. Principalmente, de saber que essa foi a maior herança dos meus ancestrais.

Gosto de ver a água deixando as cores de outra cor. Em San Blás, pude ver todos os tons azúis e verdes da Faber-castell nas águas do Caribe.

Gosto das águas doces dos rios do Pantanal. Ouvir a liturgia dos rios e namorar a lerdeza de suas águas. Rio Olho d’água. Rio da Prata. Rio do Peixe. Rio Sucuri.

Gosto das cachoeiras que recarregam minhas baterias, principalmente as de Minas Gerais.

Gosto do mar aberto em Fernando de Noronha e ver toda aquela água limpa a se perder. O mar selvagem em Itacaré, em Trancoso, em Florianópolis ou mesmo na Praia de Ipanema. Gosto do cheiro da maresia que invade a minha sala no Leblon.

A água, assim como a confiança, é um bem precioso e insubstituível. É um elemento da natureza, um recurso natural.

É importante enxergar a água. Ficar de olhos bem abertos

sábado, 20 de março de 2010

Outono


Carlos Drummond de Andrade escreveu que “o outono é mais estação da alma do que natureza”.

Isso é verdade. É uma estação de transição. Chega discretamente. Derruba umas poucas folhas aqui e ali. Tem suas cores próprias, mais brandas, como se houvesse um filtro na atmosfera e nas fotografias. Traz também uma consciência silenciosa.

Nossas emoções começam aparecer. Sem a euforia do verão, que se retira, seguindo seu caminho para outras terras.

Como já mencionei, sempre foi minha estação preferida.

Nada como um beijo de Déborah para que o Outono fique ainda mais completo.

terça-feira, 16 de março de 2010

Rodeios


Aqui estou. Escrevendo e deletando quase tudo que escrevo...

Estou fazendo rodeios. Não sei bem porquê. Comecei a ficar nervoso logo depois que você começou a ler meu blog. Parece me o começo de alguma coisa.

Quero acreditar que isso é um passo na direção certa.

Tenho tanta coisa a lhe dizer e lugar algum por onde começar...

sábado, 13 de março de 2010

Leitores silenciosos


Luciana fez aniversário dia 15 de setembro. Escrevi um post homônimo nesse dia. À noite ela me liga muito emocionada com as minhas palavras. Diz que imprimiu e levou o texto para a sua análise.

No dia seguinte, escrevo outro “Estrela radiante” ainda em sua homenagem. Não resisti. Afinal de contas, são quase trinta anos de amor derramado.

Ela não comenta nada no blog.

Domingo passado, precisamente às 23h15min, ela me liga e diz: “Consegui”. Confessa que há seis meses pensa em escrever um comentário.

E o meu porto seguro. Nos meus sonhos, e na casa dele que me escondo para recuperar as forcas e assim poder descer o elevador para a rua novamente. Nao sei explicar o que e isso mas deve haver alguma explicacao em algum lugar..Deixo isso pra ele, que entende do mundo psicologico, do mundo real e do mundo espiritual e me protege em todos eles, sempre.
(Luciana, 7 de março, 16hs32min)

Confessa ainda que sempre me visita, mas não deixa rastros. Fico pensando em todos que passam por aqui e não deixam pistas. A maioria, aliás.

Sou bastante influenciado por quem passa por aqui, mesmo por quem não comenta. Noto essa influência no meu próprio inconsciente. Nos caminhos que ele me faz percorrer.

Meus interlocutores sutis. Meus leitores silenciosos.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Itaipava


No primeiro dia do outono do ano passado, viajamos para Itaipava. Era aniversário do Diogo e fomos todos passar o fim de semana lá. Quatro carros no total. No meu, estávamos eu na direção, acompanhado de Cris, Babi e Bela, ao som de Snow Patrol. Tai e Déborah estavam num outro carro, provavelmente ao som de The Cardigans. Na verdade, eram duas casas, o que hoje eu dividiria didaticamente em Casa de Luxo e Puxadinho. Como bons fanfarrões que somos, ficamos nós no puxadinho, mesmo no desconforto de dormimos todos um pouco amontoados uns nos outros.

À noite, nosso grupo do Puxadinho resolve sair, comer uma pizza, algo assim. O caseiro jura que não viu esse movimento.

Voltamos três horas depois com uma surpresa: portão fechado. Só para deixar as coisas claras, tratava-se de um portão de ferro de, no mínimo, 3 metros de altura. Ao passar por essa muralha, havia depois quase uma montanha, de 60 graus de ladeira nuns bons 300 metros de distância até chegarmos ao Puxadinho.

Começamos a discutir com calma e maturidade uma solução. E mesmo que nenhum de nós tivesse a menor idéia do que fazer, na duvida, dizíamos: “claro”. Em meio a celulares fora de área e buzinas de carros gritando, lá estávamos nós preparando a tempestade. Inconformados de passarmos uma noite dentro do carro. Nisso, Tai ainda pressente: “Talvez chova”. O nosso espírito comunitário começa a enfraquecer.

Os voluntários não nascem prontos, eles são feitos. Bela, num ímpeto de coragem, sente o chamado da aventura e resolve escalar o portão. Todos aplaudiram. Nessas horas, nada como o apoio de suas próprias bases. Foi a coisa mais difícil que vi ela fazer. Em certo sentido, acho que ela gostou. Eu gostei.

Não acreditávamos mesmo que ela conseguiria. Nenhum de nós. Nem lembro exatamente como ela fez isso. Mas ela conseguiu. De forma tensa, mas com sucesso. Abriu o portão para os dois carros entrarem. Recordando, foi um momento e tanto.

E nem choveu naquela noite.

domingo, 7 de março de 2010

Cris


Cris foi a primeira pessoa a ler um post meu, um dia depois de ter vindo aqui em casa para abrir "Mesmo que nunca se aprenda", o blog.

Ela é o arrojamento num jeito de menina sapeca. Precisa como um laser, possui foco pinpointed em seus olhos atentos. Seu jeito premiun usa e abusa do universo digital.

Possui um coração de detetive num céu de macadâmia. Traz sempre consigo uma coleção de frases espirituosas e boas tiradas na ponta da língua. Embora nunca anuncie que vai contar uma piada, ela é capaz de arrancar gargalhadas até mesmo de um espantalho. O sorriso é fácil, solto, amplo. Até mesmo quando aparenta uma seriedade, está por dentro morrendo de rir das confusões que causou ao lançar suas posições ousadas.

Sem embaraço algum, faço uma última confissão que pode ser fácil: Cris possui um caráter extra sensível. Sei tão bem quanto sei que por trás de seu tom resmungão, sempre presente, existe a doce fragilidade.

Hoje é o seu aniversário. Dia de contratempos, critérios e veneno anti-monotonia. E que seja doce.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Adolescência 12 - Perguntas sem respostas


Fazendo um esforço mal posso ouvir meu pai e minha mãe organizando as coisas. Sincronizando horários.

Não faz mal. Não preciso ouvir.

Não estão falando de nada que tenha importância. São pessoas de bom gosto. Não discutem um problema na frente do problema.

Além do mais, não existe problema algum. Há apenas a fase número dois: a recuperação. Um olhar para frente.

Recuperação de que ? Olhar pra onde ? O que você está fazendo cara ? Fazendo perguntas esquisistas ?

Perguntas sem respostas. Mirando-se a si mesmo. Coisa séria.

Outra vez cara. Puxa vida, não comece de novo a pensar em círculos.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Fix you


Life is awesome !!

Passei a última semana me preparando para ouvir “Yellow”, “The scientist”, “In my place”, “Talk”, “The hardest part”, “Lost”, “Violet hill”. Tive insônia, falei ao telefone, fiz interurbanos, revi fotos antigas, reli emails, andei de bicicleta, até levei a letra de “Lost” pra faculdade pra ilustrar um assunto.

Mas me ‘esqueci’ que havia "Fix you" no fabuloso mundo de Coldplay. Não tenho essa música no ipod. Nunca tive. Achava que tinha esquecido a letra. Mas essas coisas, essas emoções, você não esquece. Nem com o tempo. Você só acha que esquece. Ou prefere acreditar assim. Foi só começar When you try your best, but you don't succeed que minha memória afetiva passou a acompanhá-los. E aí foi num golpe só:

When you get what you want, but not what you need,
When you feel so tired, but you can't sleep
Stuck in reverse
And the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone, but it goes to waste
Could it be worse?

(...)
Lights will guide to home
And ignite your bones
And I will try to fix you


No final, ainda soltaram fogos de artifícios. Muito foda !

Fui pra casa pensando na melhor tradução para "fix" you. No inglês correto, seria “consertar”. E no coração, pensei ... Seria recuperar ? naquele sentido de ter de volta ?

Pensei em perguntar pra Bela, ou pra Cris, ou pra Joana, sei lá... estava com as melhores companhias do mundo. Achei melhor não. Estávamos todos muito excitados.

Life is really awesome !! Even in technicolor. But I have to say: The stars shine for you.