terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Despedida


Chegamos ao último post de 2009. Um ano emotivo, com começo, meio e uma fatalidade própria.

2009 inicia-se no auge. Na melhor festa de reveillon que de longe já estive. Feliz. Extasiadamente feliz. Mais feliz do que em qualquer outro momento na vida.

Uma semana depois, viajo para o Pantanal Mato-Grossense. Queria fugir do urbanismo das grandes cidades, em busca do característico, do esquecido, do desconhecido, do inesperado de várias regiões brasileiras. Lá, ouço a liturgia dos rios e flutuo na lerdeza de suas águas. Descubro Bonito, um lugar de chuva morna e ventos verdes. Em pleno verão, já estou no sul da Bahia, em Itacaré, numa sucessão de praias lindas e selvagens e de morros cobertos por florestas e coqueirais.

Percorro a região sudeste. Passo pelas montanhas mágicas de Minas Gerais (Ibitipoca, Aiuroca, São Thomé das Letras). Por São Paulo (Ilhabela) e pelo Rio de Janeiro, a região serrana, a região dos lagos e a história em Paraty, Trindade. Volto ao nordeste, no paraíso ecológico que é a ilha de Fernando de Noronha, num dos melhores invernos da minha vida.

Um ano solar. Cheio de estradas abertas no meu caminho. Muitas risadas, praias, cachorros quentes, yogoberries, fanfarronices. Um ano entorpecido pela presença feminina de Luciana, Rose, Maria Olívia, Tai, Babi, Cris, Déborah, Bela, Luísa, Márcia.

Em outubro, a fatalidade: na descoberta de um câncer, Fábio sai da minha vida, deixando um enorme vazio e o meu coração cheio de saudades. Ainda espero que o tempo, como na canção, vá curar a ferida.

2009. Um ano emocionalmente forte. Por isso decidi viajar. Meu jeito cigano gosta de partir sempre antes da hora.

Feliz Ano Novo !

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Valter


Foi com Valter que fiz uma das road trips mais legais de toda a minha vida. Pegamos o potente Toyota Corolla novinho de sua mãe e partimos às cinco da manhã, para uma viagem de 20 dias. Do Rio de Janeiro até Florianópolis, ilha de Santa Catarina, passando por São Paulo e Curitiba. 20 dias afastados e desligados de qualquer coisa real.

Não sei como consegui convencê-lo. Valter não gosta muito de praia. Nunca gostou. Eu gosto. Muito. Meu poder de persuasão devia estar em alta. Percorremos quase todas as praias de Floripa. Praia Brava, dos Ingleses, do Santinho, da Galheta, Mole – de longe, a minha preferida -, da Joaquina, do Morro das Pedras – o por do sol mais bonito de Floripa -, da Armação, do Matadeiro, da Costeira, de Jurerê.

Valter é de fácil convivência. Sempre riu muito das minhas palhaçadas, das minhas caretas infantis. A caminho de Curitiba, na rodovia Régis Bittencourt, popularmente chamada de "Rodovia da Morte", falei alguma coisa que ele riu por quase dez minutos. Não consigo me lembrar o que foi. Mas consigo recordar o sentimento, e principalmente, de que não conseguia fazê-lo parar de rir. Seu sorriso avançava ou recuava enquanto seu corpo movia em direção contrária. Um sorriso que não deixava de ser esplêndido pelo fato de não fazer nenhum sentido. A sorte é que eu estava no volante.

Hoje é seu aniversário. Dia de natal, de confraternização, de família. Valter é família. Um daqueles irmãos que a gente guarda do lado esquerdo do peito. Um irmão para toda a vida.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

É natal, é natal...


Esse será o meu primeiro natal sem Fábio.

Como vocês sabem, Fábio tinha idéias próprias. Decidiu sair da minha vida muito antes do previsto. De forma súbita e silenciosa.

Hoje me peguei lembrando de tudo que vivemos juntos. O ar de alegria que manifestava ao ver-me avançando em sua direção. O costume cotidiano de acompanhar-me até a porta da frente e ajudar-me a esperar o elevador.

Fábio sempre foi inclinado a crer que onde há fumaça, há filé mignon. E muito poucas vezes fogo. Por isso adorava o natal, a casa cheia, almoços, aniversários, amigo oculto, reveillon. Fábio era mesmo neto do meu pai.

Um dia desses andando na praia me senti muito feliz e completo. Fábio me trouxe algo que eu não conhecia e me encheu de amor. Por isso, mesmo sabendo que não o terei fisicamente ao meu lado na noite de hoje, sei que o amor que ele deixou estará sempre comigo.

Feliz natal !!

Que o amor do Fábio nos sirva de exemplo.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Então é Natal !


Uma noite de ensolaradas declarações. Uma festa longa – começou pontualmente às 21hs, onde todos se uniformizaram com gorros vermelhos de Papai Noel. Então é Natal !!

Ao contrário do ano passado, não fechou redondo. Foi difícil manter o quebra-cabeça e conter as euforias. A ansiedade, ou talvez a quantidade de vinho, provocava mais risadas do que advinhações.

Rodrigo, com uma extensa carta cheia de mimos e adulações, inicia a noite. Da janela, alguém grita: “É a Carol !” Bingo ! Era mesmo. E olha que a carta era quase um desafio chinês.

Carol me tirou de amigo oculto, lembrando minha “fidelidade canina”. Muito obrigado. Adorei mesmo. Eu, sortudo que sou, tirei a Tai e não me canso de dizer que sinto me imensamente grato a ela. Tentei defini-la como “uma gata manhosa esperando pra dar o bote”. Não é que teve gente que pensou que era a Bela ?

Daí pra frente a esculhambação correu solta. “Se fosse uma doença mental”, “se fosse um erro”, “se fosse um processo na justiça”... Uma teoria que desenvolvo: depois do terceiro que sai, começa a fanfarra e os clarins. Mas tentamos seguir, aos tropeços, ao final da cerimônia.

Tai tirou o Rogério – que fez sua dancinha tradicional – e entregou seu presente para Dani, estreando com elegância em nossa festa anual. Rose chamou Babi de “ursinho”. Babi chamou Bela de “sereia”. O reino animal ganhando mais forças aqui no final do Leblon.

Bernardo lembrou que seu amigo oculto tem “cheiro de mato e terra molhada”. Ah, essa foi fácil: Déborah, que trouxe do Museu Imperial de Petrópolis seu presente para nossa adorável Cris, com direito a mais uma ensolarada declaração de amizade.

Gabriel não compareceu. Foi representado por Joana, a darling da noite. Mandou um presente pra lá de criativo. Muito evangélico, mas pra lá de criativo. Estamos todos ainda decifrando o maior enigma do jogo. Em sua homenagem, apertamos um.

Uma noite de surpresas. Luciana e Ronaldo compareceram rapidamente. Sobraram bebidas. Bela chegou na hora marcada. Joana ganhou dois presentes. Juro que ouvir o Fábio dar um latido.

Esses são os meus amigos. Cada um com suas múltiplas personalidades. Tamanhos e formas diferentes. Cores variadas e individuais. Mas são os amigos que eu tanto amo.

Feliz Natal pra todos vocês ! Ano que vem, a festa promete mais surpresas.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Márcia


Márcia é um doutorado. Diplomada pelas saudáveis extravagâncias da vida. Quem quiser entender essa mulher, deve conhecer um pouco do Egito antigo, de mitologia grega, das cartas do Tarot e principalmente de espiritualidade. Só ela tem a facilidade de entrar em vários mundos sem nunca pertencer a nenhum deles.

Exímia contadora de enredos e autora de confusões deliciosas, ela relata memórias de uma vida preenchida com muita emoção: sua tumultuada - e sempre divulgada - vida íntima, seus arroubos passionais, sua alardeada história afetiva. Muitos imprevistos no meio do seu caminho. Como se tudo se resumisse a mais uma canção de amor. Ou desamor.

Adoro sua loucura escancarada, seu estilo franco, seu discurso empolado, sua exibição de audácia, sua genuína generosidade. Márcia transborda o feminino. Só ela é capaz de ir de um extremo ao outro com inacreditável rapidez.

Hoje é seu aniversário. Dia de sol e mar. Dia também de chuva, raio, relâmpago, trovão e tempestade.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Amigo oculto


A sorte foi lançada. Segunda é o dia do nosso amigo oculto. Vai ser aqui em casa. Numa pontualidade que lembra os fenômenos meteorológicos. “O meu amigo oculto é alguém muito especial...” sempre o texto inicial. Vai ser mais uma noite de ensolaradas declarações. Se tudo correr bem, deve prosseguir até às cinco da manhã com todos um pouco embriagados. De vodka e de amor. A gente bem sabe como essas coisas acabam.

Mesmo entre os meus amigos, não faltam os piores loucos e os excêntricos. Mas eu aprendi que até amigos vêm em tamanhos e formas diferentes. Com cores variadas e individuais.

Adoro a festa do amigo oculto e tudo que nela envolve. Esforços atenuantes. Tentativas de trapaças. Implicâncias gratuitas. Façanhas para adivinhar quem tirou quem. Expressões de entusiasmo. Curiosidade nos olhos. A do ano passado fechou redondo – fato raro. Começou com Cris, rodou, rodou, rodou, terminou em Cris.

Esse ano minha antena não colheu quase nenhuma pista sobre os presentes.

Assim são eles. Cada um com suas múltiplas personalidades. Tão intensamente diferentes uns dos outros.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Pilha de queixas 5

Qualquer pessoa pode ser abalroada por uma série de situações incontroláveis. Tão prosaico princípio não impede que T., com sua índole cáustica que se põe em ebulição diante de uma rejeição, abra a estação da guerra generalizada. Segundo ela, seu 'ficante' desde que começou a namorar, a tem tratado como um "réptil repulsivo".

Acometida de um acesso de mau humor e numa total ausência de amor-próprio, T. enviou um e-mail para o 'ficante' que não quis namorá-la. Isso, é claro, depois de nove ou quinze ligações ofensivas, sempre aos berros. Com as mãos crispadas e o peito sacudido por socos interpretativos, T. recitou o seguinte texto aos gritos, aqui reproduzido na íntegra:

você não presta, nunca prestou, engana as pessoas, usa e joga fora, você ainda vai sofrer muito, mais do que já sofreu, se existe um Deus, vai sofrer... se Deus quiser e muito ainda, o que sofreu até hoje não foi nada, com certeza, vai pro inferno ! seu idiota, você acha que é feliz, mas no fundo você sabe que não é, é infeliz e amargo por dentro”.

Um ataque malévolo, onde ela o condena à danação eterna. T. cria um universo sombrio e sepulcral para ela mesma. Penso: 'As pessoas podem ser muito cruéis quando contrariadas'.

O ódio é somente um sentimento que todo ser humano tem. Muitos de nós não o alimentamos, nem fazemos dele a maior coisa da nossa vida. T. faz uma escolha em usar esse ódio na potência máxima como lente pra enxergar tudo e isso vira um guia, uma bússola. Ela opta por ter raiva e medo.

Essa raiva nada mais é do que produto do medo.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Ameaça


É fato que a sinalização na estrada é fundamental. As placas nada mais são do que um conjunto de sinais de trânsito colocados para garantir sua utilização adequada. Garantem maior segurança aos veículos que nela circulam.

Mas o que dizer quando a placa é ameaçadora ?

Foto tirada por Cris.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Onde a estrada levar


Outono é a estação do ano que mais gosto. Sempre foi. Há algo de muito agradável no outono. Ele chega com suas rajadas de vento e interrompe as torrentes de chuva do verão. O outono alegra a alma. O coração fica um pouco mais leve.

Adoro estrada. Sempre gostei de pegar o carro, indo pra onde a estrada me levar. Parece que todos os caminhos são certos.

Decidimos subir a serra. Eu, Cris, Babi e Bela. Gosto do que acontece durante a viagem de carro. Nosso senso de humor sempre se transforma em boas histórias.

Quando liguei o rádio, um ataque frontal.

We'll do it all, everything, on our own.
We don’t need anything or anyone.
If I lay here, if I just lay here,
Would you lay with me and just forget the world ?

I don't quite know, how to say, how I feel.
Those three words are said too much, they're not enough.
If I lay here, if I just lay here,
Would you lay with me and just forget the world ?


Um daqueles momentos raros que pegam a gente de surpresa e quase tiram o fôlego.

Chasing cars. Open your eyes. Grupo escocês Snow Patrol. Essas músicas me trazem lembranças...

Despojados, estávamos inundados por um imenso bem estar. Rindo para a câmera, a imagem da confiança. E tudo isso numa manhã de outono.

domingo, 29 de novembro de 2009

Sakara


A Pirâmede de Djoser, primeira pirâmede construída no Egito, é o mais antigo monumento do mundo.

Ela foi escanalonada e construída em 2650 a. C. para o Faraó Djoser pelo arquiteto real Imhotep. Sua genialidade foi ter iniciado a construção de uma mastaba (estrutura de sepultura) não com tijolos de barro, mas com pedras, tendo acrescentado muitas outras depois, formando a pirâmede em degraus. Não à toa, ele foi mais tarde elevado à categoria de deus.

A Pirâmede de Djoser faz parte do enorme complexo funerário de Sakara, a 30km do Cairo. Sakara é mais antiga que as pirâmedes de Giza e está entre as ruínas mais antigas que podem ser encontradas no Egito. Funcionou como necrópole da cidade de Mêmphis.

O nome Sakara deriva de Sokar, nome de um deus da mitologia egípcia considerado como protetor da necrópole. Os deuses Sokar, Ptah e Nefertum formavam a tríade de Mêmphis.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Adolescência 10 - Círculos


De novo. Acabo bebendo muito. Desta vez não por tédio. Por medo.

Por tudo que está acontecendo. Que eu não quero ver. E não vejo mesmo. Principalmente quando estou alto e me sentindo bem.

Sem falar. Sem olhar um para o outro. O silêncio entre nós longe de ser vazio. Cheio de palavras não trocadas. Dessa noite. De antes dessa noite. De quando ? Não sei. E tenho certeza que ninguém sabe.

Farto de ruminação. Cansado de aguardar.

Nada é falado. Nada é decidido.

Tudo são círculos. E mais círculos...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Lago Titicaca


O Lago Titicaca foi o berço da civilização Inca. Localizado a 3.811 metros acima do nível do mar, na fronteira entre o Peru e a Bolívia, é o lago navegável mais alto do mundo. Pelo menos, foi o que Tai e eu aprendemos quando chegamos a Puno, a principal porta de entrada para o Titicaca.

Navegamos então pelas suas águas em direção a uma das mais antigas civilizações da América, a ilha flutuante de Uros, o lugar ideal para se exilar alguém. De lá, fomos para a Ilha de Taquile, onde pernoitamos na casa de nativos. No dia seguinte, fomos em direção da Ilha de Amantani, onde percorremos os lugares mais estranhos e inimagináveis.

A foto é, sem dúvida, uma das minhas preferidas. Uma foto irretocável. Desde que Tai apareceu definitivamente na minha vida, não consigo pensar em ninguém mais como ela, para captar imagens. Nessa, sua câmera absorve toda a sensação de horizonte aberto que estávamos sentindo.



As possibilidades pareciam infinitas.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Adolescência 9 - Amanheceu


Amanheceu. Acontecimento inesperado ? Surpresa ao constatar um novo dia ?

Hesito algum tempo antes de levantar. O estômago se contrai. Mãos entrelaçadas na nuca aumentam o diâmetro do meu peito.

Contemplo os pés. Meus próprios pés.

Olhos ardendo. Joelhos para cima. Roupas espalhadas: camisa na cadeira, calças no chão.

Vendo a chuva escorrer pela vidraça do quarto. Me sinto abandonado num dia triste e frio.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Aiuruoca


Ainda fascinados com a experiência anterior, a segunda parte da trilogia seria então em Aiuruoca, MG. Foi no parque estadual de Ibitipoca, que descobrimos essa cidade. Partimos ainda com mais entusiasmo do que na primeira viagem – se é que isso era possível.

Numa trilogia, o segundo capítulo é sempre o mais difícil. Tentar superar o sucesso de uma experiência bem sucedida é tarefa árdua.

O auge da expedição acontece logo na chegada a cidade. Depois de pararmos – novamente – na estrada pra fotografarmos as placas, nos deparamos com um morro alto indicando a direção a ser seguida com todas as letras do nome da cidade: AIURUOCA. A empolgação foi grande.

Desafiamos os limites do permitido. Escalamos o morro e cada um de nós se posicionou em uma das letras da palavra. Não antes de, num caso de máxima lucidez, pararmos um estranho motoqueiro e entregar todas as nossas câmeras digitais para que ele tirasse o maior numero de fotos possível, “soltar o dedo” na terminologia de Luísa. Queríamos colher os louros da nossa ousadia.

Parece impertinência ? O que vem depois é muito pior. Eis que lá em cima, a muitos e muitos metros do chão, pendurados em letras gigantes, as câmeras entregues ao estranho, Bela me pergunta: “você trancou o carro né ?”. Eu, com um possível olhar semi-imbecil, respondo: “nossa, eu não devia ter deixado a chave na ignição”. Ainda posso ver o olhar das meninas ao som da minha resposta.

Foi o que aconteceu. Uma paródia. No desatino, todos nós perdemos o juízo e largamos o carro aberto, malas, dinheiro e o pior, a chave na ignição deixada por mim, num caso agudo de oligofrenia.

Minha avó sempre dizia que Deus protege os loucos e as crianças. Não sei em que categoria nos enquadrávamos naquele momento, talvez na fronteira que a razão faz com a demência.

O fato é que a foto ficou ótima !

O nome da cidade vem de ajuru que quer dizer papagaio, na língua tupi e oca, que significa casa. Aiuruoca significa então "Casa de Papagaio". Decidimos então, no dia seguinte subir o Pico do Papagaio numa aventura pra lá de divertida. Partimos da Reserva Ambiental Matutu.



São quase nove quilômetros de trilha, passando por paisagens exuberantes, Mata Atlântica, cachoeiras, bosques de araucárias e bromélias.



Subimos em três horas e meia, com direito a algumas paradas. O topo é fantástico. 2.295 metros de altitude. Sensação total de plenitude e conquista.



O horizonte imenso todo aberto para nós sugerindo mil direções.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Luísa


Luísa é a voz amorosa da inocência. Quando contei que Jesus Cristo escolheu seus 12 apóstolos, um de cada signo, ela acreditou... E ainda ficou curiosa pra saber qual deles era do signo de escorpião, o mesmo que o seu. Situações antológicas e inesquecíveis como essas, vive-se apenas quando se tem Luisa por perto. Parece muitas vezes uma menina, com suas frases ótimas que saem quase sem querer. Tem a disposição vivaz de quem ainda não largou suas bonecas.

Ela foi o presente que Bela me deu no final do ano passado. Tornou-se uma das melhores e mais fiéis amigas do Fábio, dedicando-lhe um álbum todo especial no seu “Facebook”.

Cumpriu com garra e determinação a terceira força da trilogia Ibitipoca-Aiuruoca-Trindade. Devo confessar que gosto imensamente de sua companhia. Principalmente nas viagens e em suas extensas seqüências de fotos. Não economiza. Costuma “soltar o dedo”. Quer “garantir” que a seqüência ficará perfeita.

Preciso mencionar ainda o seu incontrolável desejo por “zooms”, o qual acabei tornando-me dependente também. Compartilhamos silêncios cúmplices, cada um com sua própria digital checando suas fotos repetidas. O que já provoca certa tensão em Bela.

Hoje é seu aniversário. Dia de relembrar as tardes confortáveis em Ibitipoca e Aiuruoca.

sábado, 14 de novembro de 2009

São Thomé das Letras 1


Falar de Debs é retornar a São Thomé das Letras. Eu tinha feito essa viagem aos 20 e nunca mais havia voltado. Pura falta de oportunidade. Tentei voltar, mas os caminhos me levavam sempre a outros lugares.

Debs nunca tinha ido. Nem Babi. Nem Rose. Fez-se a oportunidade. Mais uma road trip por Minas Gerais.

Diz a lenda que um escravo de nome João fugiu e refugiou-se numa gruta, sobrevivendo com o que a natureza lhe dava. Um dia apareceu na gruta um senhor com longa barba e vestes brancas que lhe entregou um bilhete, o qual deveria ser entregue ao seu senhorio sendo que seria a garantia do perdão pela fuga. O escravo retornou a fazenda e foi perdoado. O feitor quis conhecer a gruta e encontrou em seu interior uma imagem de São Thomé esculpida em madeira. Na entrada, haviam pinturas avermelhadas semelhantes a letras. A origem do nome “São Thomé das Letras” surgiu em referência a essas pinturas.



Deitados no telhado em forma piramidal, assistimos a um inesquecível por do sol.

Nada é mais lindo do que o azul sem manchas do céu de São Thomé das Letras.

O horizonte imenso aberto sugeria mil direções.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Déborah


Deborah mergulhou ao meu lado nas águas claras e frias das cachoeiras de São Thomé das Letras. Na cachoeira do paraíso, no véu de noiva, no vale das borboletas. E assistiu também, bem pertinho de mim, ao por do sol no telhado da casa da pirâmide. Um céu escarlate. Isso tudo selou, por razões puramente sentimentais, nossa conexão.

Cheia de trejeitos e com brilho de malícia nos olhos, essa menina corre de um lado para outro com a naturalidade de quem brinca no pátio de casa. Possui uma espécie de dínamo que a faz expressar-se com uma energia de alta voltagem, vazando a emoção de forma passional. Carisma irrefutável, ela alia refinamento e espontaneidade. Na loucura e no desatino.

O temperamento é de fato guerreiro, pronta para brigar pelo que acredita ou para enfrentar o que for preciso.

Planejo ainda mencionar – apenas de passagem – que Déborah sempre dorme nos finais de festas. Não importa onde. Na minha penúltima de aniversário, ela desmaiada em minha cama, - ta bem, já eram cinco e meia da manhã - lembro de Cris, sacudindo-a, em tom de voz forte: “Déborah acorda, o garoto quer dormir”. Vale lembrar que o garoto era eu...

Hoje é seu aniversário. Dia de reverenciar seu dom de fazer os brownies mais gostosos do planeta. Dia de ouvir suas deliciosas gargalhadas. Aquelas que dão vontade de agarrar e trazer para casa.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Casamento


Poucas pessoas sabem o quanto foi difícil para eu voltar a acreditar em casamento. Mesmo assim, havia me decidido casar novamente. Mais confiante, me sentia mais seguro. Uma idéia me perseguiu durante toda aquela semana, adiar. “Vamos em frente, não adianta recuar” tentava repetir para mim mesmo.

Assumi o grande desafio e espantei o medo de passar o resto da vida fugindo desse compromisso. Torci para conseguir uma agradável reconciliação com meu coração. Queria dar adeus de vez aos fantasmas. Para isso, sabia que precisava confrontá-los, até perceber quais eram reais, quais eram imaginários.

Podemos ficar todos calmos. Acertei o passo, pisei com firmeza o caminho certo. Enterrei de vez o conturbado relacionamento anterior. Dividi o mérito com Leandro, indiretamente responsável por essa saudável guinada na minha vida. Reconciliei-me com meus pensamentos, afastando de vez todos os medos que me perseguiam.

Na nova casa, iniciei então uma rotina de confortadoras trivialidades. As aparições noturnas tornaram-se raras. As incursões diurnas ganharam fôlego. As pessoas não apareciam mais sem serem convidadas. Mais recluso, uma vida mais regrada, mal sou visto nos lugares. Mantive-me convenientemente afastado do eixo das badalações. Muito pouca exposição pública. À exceção de cerimônias, quando nada se pode fazer. Relembrei quanto vale uma vida privada.

Deixei pra trás as festas e toda publicidade em torno de mim. Me desfiz da imagem de uma pessoa agitada, com vida intensa. Sai de cena por longa temporada, esperando que a distancia pudesse dar a lucidez que me faltava. Queria existir apenas nos limites da minha domesticidade.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Skank


Hoje tem show do Skank, o grupo musical brasileiro que possui as músicas e letras que compõe meu repertório amoroso nos últimos dez anos. Não conseguiria contar as vezes que me emocionei com “Resposta”, “Balada do amor inabalável” ou “Dois rios”.

Desde quarta, tenho escutado Skank no meu ipod. Em casa, no carro a caminho da faculdade, na praia. Uma espécie de pré-estréia para a noite de hoje.

Aqui estão 12 músicas para um enredo amoroso. Não foi necessariamente assim comigo. Mas poderia ter sido...

1) PARA SE APAIXONAR Balada Do Amor Inabalável
É força antiga do espírito virando convivência de amizade apaixonada
Sonho, sexo, paixão, vontade gêmea de ficar e não pensar em nada...
Planejando pra fazer acontecer
Ou simplesmente refinando essa amizade
Eu vou dizendo na sequência bem clichê
Eu preciso de você...

2) PARA AMORES PLATÔNICOS Ali
Quem sabe com ela
Eu teria as tardes que sempre me passaram
Como imagens, como invenção!
Se eu não posso ter eu fico imaginando...

3) PARA PRIMEIRO ENCONTRO Resposta
Bem mais que o tempo que nós perdemos
Ficou prá trás também o que nos juntou...
Ainda lembro que eu estava lendo
Só prá saber o que você achou
Dos versos que eu fiz e ainda espero
Resposta...

4) PARA FICAR Seus Passos
E o que dizer desse segundo distraído do olhar
Que no infinito corre mundo
Onde o céu encontra o mar
Nesse jogo de reflexo a certeza me distrai
Seu desejo é meu início
E eu estou tão perto agora, eu sei

5) PARA ONE NIGHT STAND Formato Mínimo
Os lábios se tocaram ásperos em beijos de tirar o fôlego
Tímidos, transaram trôpegos e ávidos, gozaram rápido

6) PARA SE DECLARAR As Noites
As ruas desse lugar conhecem bem
As noites longas, as noites pálidas
Quando eu te procurava
As ruas desse lugar agora eu sei
Sempre escutaram a nossa música
Quando eu te respirava
E lá no céu os astros num arranjo surpreendente
Se buscavam como a gente
Pelo menos tinha essa ilusão

7) PARA FAZER SEXO Dois Rios
Que os braços sentem e os olhos vêem
E os lábios beijam dois rios inteiros sem direção
E o meu lugar é esse ao lado seu, meu corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar é o meu amor primeiro
O dia e a noite, as quatro estações

8) PARA UNIÂO E CUMPLICIDADE Sutilmente
E quando eu estiver triste simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo suavemente se encaixe
E quando eu estiver bobo sutilmente disfarce

9) PARA ROAD TRIP A DOIS Vou Deixar
Eu já estou na sua estrada
Sozinho, não enxergo nada
Mas vou ficar aqui até que o dia amanheça
Vou esquecer de mim e você se puder
Não me esqueça...

10) PARA IR EMBORA Acima Do Sol
Eu não posso te ajudar esse caminho não há outro
Que por você faça
Eu queria insistir mas o caminho só existe
Quando você passa...

Assim ela já vai achar o cara que lhe queira
Como você não quis fazer
Sim, eu sei que ela só vai achar alguém pra vida inteira
Como você não quis...

11) PARA EX NAMORADOS Amores imperfeitos
Não precisa me lembrar não vou fugir de nada
Sinto muito se não fui feito um sonho seu
Mas sempre fica alguma coisa, alguma roupa pra buscar
Eu posso afastar a mesa quando você precisar

12) PARA VOLTAR O NAMORO Três Lados
E quanto a mim, te quero, sim
Vem dizer que você não sabe
E quanto a mim, não é o fim
Nem há razão pra que um dia acabe

Você estava longe, então por que voltou ?

Bem, acho que seria capaz de prosseguir exaustivamente essa lista. Vamos ao show então...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Pilha de queixas 4

O 'ficante' com quem T. teve um relacionamento rápido dizia sempre para ela que “não queria namorar”. Porém, ela acaba de descobrir que ele está namorando outra menina. Ela, a esteta do exagero que não tem meias medidas e sempre a beira de um ataque de nervos, insiste em ligar para ele para fazer acusações. Aos berros. Sempre aos berros. T. é um primor em matéria de delicadeza. Quando não grita, urra. Não há bom costume que fique de pé quando ela está por perto. Ela resume sua vida a acusações com ou sem motivos, às entranhas da piedade e do terror.

Explico que ao "acusá-lo" do fato de ele dizer que não quer namorar não é uma declaração registrada em cartório. Explico ainda que ele poderia em algum momento mudar de idéia.

O que mais me chama a atenção é que para ela, o rapaz não namorá-la era quase um pacto silencioso: "ah ele não ME namora porque não quer namorar".

Ela não pensa que o rapaz só estava sendo educado e não falaria "você ta louca que eu namoraria você ????"

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Pilha de queixas 3

T. (22 anos) é a instabilidade personificada. Comporta-se como uma gangorra dada a ataques de cólera. Ou está deprimida achando que ninguém a quer e que todos a usam, ou está eufórica. O melhor é que em ambas situações ela sempre xinga muito as pessoas. Para dizer que vai até a esquina, usa pelo menos três palavrões desnecessários.

Perguntei: “Como as pessoas te usam ?” Segundo ela, “basicamente para sexo”. Antes eu achava que ela tinha aprendido com a mãe a gritar. Elas são aquelas pessoas que insultam aos berros quem lhes passe pela frente, armando escândalos em público. Hoje já acho que aprendeu algo mais profundo. Aprendeu a só ver coisa ruim em tudo e todos.

O 'ficante' com quem ela saia esporadiacamente decidiu interromper essas saídas. Em vez de ir embora, ela inicia seu calvário com uma carga aparentemente inesgotável de gritarias, insultos e ameaças, passando por um processo de decomposição emocional e impulsos assassinos, com altas possibilidades de acabar num manicômio. Assim, ela assina sua própria sentença, causando uma enorme repulsa no seu 'ficante'.

T. esquece que quem está escolhendo a dor é ela mesma. Em suas reflexões mal humoradas, ela enxarca mais ainda o seu transbordante poço de ressentimentos. Acredita que "o destino parece conspirar contra mim" e assim, convencida de sua predestinação, não se conforma "com o destino que me foi imposto". Talvez isso justifique seu currículo afetivo desastroso e uma bagagem cheia de incidentes.

Ela que não sabe ir embora e ficar só com a parte boa da história. Penso: “Imagina quando alguém ficar, no caso, ficar a base de grito, que ‘relação’ boa vai ser”. Porém, prefiro me abster a lançar esse comentário.

Ela quer tanto que o cara fique que, se ele morrer, ela é capaz de botá-lo no freezer.

domingo, 1 de novembro de 2009

Perturbador da ordem


Nunca fui um adolescente muito bagunceiro. Embora meu avô sempre dissesse que eu era “encapetado”, juro que achava isso um exagero.

Aos 13 anos, no último mês da sétima série, fui considerado perturbador da ordem. Esse foi o termo justificado em minha caderneta para uma suspensão de três dias. Na verdade, não fui suspenso sozinho. Quatro garotos do colégio foram, e eu estava entre eles, embora talvez isso não fizesse a menor diferença para os meus pais.

Eles foram comunicados pelo telefone no gabinete da coordenação.

Naquela tarde, não quis voltar pra casa e enfrentar perguntas inevitáveis. Pensei em ficar na garagem. Talvez dormisse lá. Acho que fazia um ano e meio que não rezava, mas naquele dia eu rezei. Pensava em como melhorar o humor em casa. Penetrar nas linhas inimigas e tentar fazer a comunicação.

Cheguei em casa três horas depois. Totalmente exausto, transpirando, amarrotado. Na fornalha ardente que era a cidade naquele mês de novembro. Nunca senti tanto calor em toda a minha vida.

Iríamos passar o natal na Disneyworld, Miami. Eu e meu irmão teríamos que passar de ano. Direto. As recuperações seriam em janeiro. Essa suspensão poderia atrapalhar muito todo o plano familiar.

Quando abri a porta de casa, meus pais estavam na sala com o ar de quem vai dar uma lição. Porém, um ato espantoso de condescendência aconteceu.

Meu pai me contou uma história sua de vinte anos atrás. No mesmo fôlego, disse que me amava embora blá blá blá... Terminou com um “Por isso, por favor, preste atenção !”

Nunca fui um aluno muito brilhante, embora sempre passasse de ano. Mas passei três dias internado em casa estudando matemática e ciências. Dia e noite. Noite e dia. Devia isso a eles. Passei raspando. Mas passei. Foi um daqueles momentos que me senti realmente orgulhoso de ser um garoto esperto.

Eu nunca me perdoaria se não tivesse passado direto. De verdade. Dia 20 de dezembro daquele ano, pisei nos Estados Unidos pela primeira vez. Sem perturbar a ordem no avião.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Matchu Pitchu


Depois de escrever sobre Tai, não tenho muita escolha. Retorno a Matchu Pitchu. Foi com a força mítica daquelas terras que tudo realmente começou. Antes, apenas um prólogo.

Algumas viagens são fabulosas, porque tudo é simplesmente fabuloso ! Essa foi bem além. 15 dias em terras peruanas. Na chegada a Cuszco, nosso primeiro almoço foi regado a Pisco - uma aguardente destilada de uvas moscatel com elevado teor de açúcar, cultivadas nos vales irrigados do Peru. O fato é que nunca tinha tomado essa bebida. Nem ela. Fiquei tonto. Muito. Somado a altitude de Cuszco – 3360m acima do nível do mar - minha cabeça rodava, rodava, rodava... Ela ficou ótima ! Queria mais... bem, essa é a Tai.

Percorremos as ruas íngremes e os becos da cidade com suas construções antiqüíssimas. O importante em Cuzsco é não ter pressa. Andar devagar, ”despacito”. Exercícios físicos, nem pensar.

Matchu Picchu ou “la ciudad perdida de los Incas” é um mistério que foi descoberto para o ocidente em 1911. 20 hectáres divididos em dois setores: um agrícola, com ladeiras e montanhas que alcançam até 4 metros de altura e um urbano, formado por construções e praças, onde encontramos o Templo do Sol e o Templo das Três Janelas. Os incas foram hábeis construtores. Aprendi que eles também estudavam as estrelas e faziam cirurgias. Depois de uma bem sucedida temporada no Egito, andar por aquelas terras era uma verdadeira reverência aos deuses. Quem esteve lá sabe do que estou falando...



O lago Titicaca é um capítulo à parte. Espero retornar em breve pra falar sobre ele. E sobre Tai novamente. Essas memórias ainda se misturam dentro de mim

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Tai


Conhecer a Tai foi um daqueles golpes de sorte que acontecem duas ou três vezes na vida. Basta dizer que foi com essa menina travessa e dengosa que fui pra Matchu Pichu. Passamos 15 dias no ‘El Glorioso Peru’, numa viagem irreverente, cheia de imprevistos e momentos hilariantes, e mais que tudo isso, inesquecível. Juntos, colocamos nosso senso de humor a toda prova. Dormimos em todos os lugares possíveis: no chão do aeroporto, num ônibus sem calefação, na casa de nativos, sob enganoso desleixo. Isso com nossa história se estabelecendo numa base sólida.

Tai é a força carismática que mistura eletricidade e graça em doses bem medidas. Guarda dentro de si uma dignidade a toda prova. Dona de um coração sofisticado e popular, ela está sempre louvando a harmonia. Nasceu sob o signo da publicidade. Desconfio que seu ascendente está na casa da unanimidade.

Sinto me intensamente grato a ela. Tai me apresentou a tantos e tantos amigos que, com a ironia das casualidades só encontradas em bons enredos, me elegeram grão mestre de uma adorável quadrilha.

Ela diz que sou um “ladrão de corações”, mas foi ela quem roubou o meu primeiro. Nunca me devolveu. E ainda me faz refém do seu charme.

Hoje é seu aniversário. O tapete vermelho está estendido.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Os amigos do Fábio


Ontem foi o primeiro dia sem Fabio. Um dia difícil. Chuvoso. Minha rotina diária ficou desconfortável.

Recebi telefonemas, torpedos e emails de apoio e carinho, todos carregados com uma dose gigante de amor. Mas estou prestes a confessar: estou muito orgulhoso do Fábio. É lisonjeante saber que ele apaixonou tantos corações. Sua rede social de amigos era intensa.

Luisa, que jogava-se – literalmente – no chão quando o via, escreveu: “Fabinho nos trouxe muitas alegrias, estará sempre em nossos corações.”

Tai lembra que “ele sempre esteve com a gente nos momentos mais divertidos da nossa amizade” e continua: “Fabio é lindo...e sempre será muito querido por todos que te cercam. Fico um pouco aliviada que ele estava ao seu lado. Com certeza não sofreu, pois estava com quem mais amava nesse mundo”.

Segundo Déborahnão tinha nada no Fábio que não fosse adorável. Sempre ali, com certeza curtindo com a gente. Ontem fui lembrando de cada evento em que ele por muitas vezes foi o centro das atenções...carinhoso, calmo, guloso... vamos nos lembrar sempre de sua loirice elegante. E muito dessa presença cativante ele herdou do pai =)”. Essa eu adorei !!! Sempre fui um pai coruja. Adorava ouvir que o Fábio parecia-se comigo.

Cris acredita que “Fabio com certeza está no paraíso dos cachorros bons onde existem nuvens de biscrock”.

Babi diz que “realmente, ele se foi rápido e leve. Sem estardalhaço. No auge da beleza e da boa forma (assim sempre me pareceu), com toda a elegância. Bem-educado como ele só... Impressionante, e bonito, como cada um tem seu estilo, e seu destino” e propõe "um brinde. Uma silenciosa reza alegre, relembrando todos os bons momentos proporcionados e divididos. Por todos nós, todos que o conheceram o mascote dos encontros na sua casa, mas principalmente aquelas felicidades que ele trouxe pra você e pra sua vida, e que nem tem como sabermos quantas foram", Lindo, Babi, lindo !!!

E foram tantas manifestações fabulosas, Rodrigo, Rose, Luciana, Dani, Bernardo, Carol, Bela, Márcia, Letícia, Olívia, Jaqueline, Leandro, meu pai, minha mãe, os porteiros do meu prédio, o quarteirão inteiro da rua... uau, estou começando a me emocionar novamente.

Vou terminar com o torpedo de Fabrizio: “Nunca esqueça que o amor que você sente pelo Fábio fez dele um filho muito amado e amoroso. Esse amor é de vocês e pra sempre, onde ele estiver ele vai estar olhando por você, te amando e esperando”.

Acho que fiz um bom trabalho !!!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Fábio


Fábio partiu ontem a tarde, às 15hs 30min. Suavemente.

A partir de uma pequena cirurgia, apresentou um diagnóstico ruim. Decidimos então iniciar uma quimioterapia. Ele não gostou muito dessa idéia.

Fábio nunca teve uma gripe. Era a imagem de saúde e entusiasmo. Sempre animado em descobrir como seria o seu dia. Quem teve o privilégio de conviver com ele, sabe do que estou falando. Sua generosidade era tamanha. Aceitou todas as minhas escolhas, amizades e namoros, com um sincero ar de aprovação, oferecendo todos os seus brinquedinhos.

Viveu de acordo com o que ele tinha de melhor. Fábio era um duque. Independente. Deitava-se na porta do cafeína, sendo capaz de contemplar o movimento por horas. Só levantava-se caso alguma fêmea simpática se engraçasse para o seu lado.

Meus amigos não param de ligar e mandar torpedos. Obrigado pelo carinho de todos vocês. Estou em paz. Triste. Mas em paz. Fábio sofreu menos de um dia. Márcia disse que “Fábio decidiu não abrir mão da vida que estava acostumado a levar”. Márcia é um oráculo. Acho que ela acertou novamente.

A suavidade de sua partida ainda me deixa impressionado. Vou ficar bem. Por ele. Por todo amor que ele me deu. Por tudo que ele me ensinou. As horas passadas na sua companhia foram as mais importantes da minha vida.

Suas cinzas serão jogadas num fim de tarde na Praia do Leblon.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Ibitipoca


Nossa trilogia começa em Ibitipoca, MG. Nenhum de nós conhecia o parque estadual de Ibitipoca. Montamos o grupo coeso e completo, a mais legítima trinca. Intitulavamos happy three friends, denunciando o estado que encontrávamos em nossa primeira road trip juntos.

No primeiro dia: circuito janela do céu. Enquanto subíamos, trocávamos olhares, não de saudação, mas sim de reconhecimento. Uma espécie de consulta com os olhos somente, sem sinal visível de que uma decisão estivesse para ser tomada.

De vez em quando, olhávamos de alto a baixo, tirávamos fotos, entravamos nas grutas, trocávamos expressões de prazer e contentamento em compartilhar a companhia dos outros. A nossa companhia.

Isabela tomava sempre a dianteira, quase com felicidade, avançando com energia e decisão. Tornava-se ali uma guia escoteira. Atrás geralmente estava eu. Luísa vinha na rabeira.



Isabela fez sinal para que nos aproximássemos e víssemos o que tinha encontrado. Faz com que eu apressasse o passo e atravessasse o resto da mata correndo. A janela do céu. Nenhum pensamento que nos pressionasse, exceto a fome, saciada apenas com duas barras de cereais. Nos divertíamos, subindo as montanhas, nadando na cachoeira e contemplando o céu entre longos silêncios bem valorizados.

No segundo dia: circuito das águas. Nos banhamos nas águas frias da cachoeira dos macacos, passamos pelo lago das miragens e o lago dos espelhos.

Nossa crença está aí. Na aliança, no motim. A primeira parte da trilogia estava cumprida.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Paraty e Trindade


Isabela e Luisa nunca tinham ido a Paraty. Nem a Trindade. Achei que seria uma boa idéia levá-las. Assim completaríamos a trilogia de 2009.

Os sinais apontavam para não irmos. Desde quarta chovia sem cessar no Rio de Janeiro. Esse era um fato, porém, do qual eu não queria realmente me dar conta. Assim, decidi tapar as orelhas e anestesiar uma parte do meu cérebro. Meu pai chegou a me questionar se eu viajaria mesmo, o que não era uma pergunta totalmente fora de propósito.

Sexta, confesso, cheguei a desanimar. Mas fomos assim mesmo, a legítima trinca e a múltipla variedade de características pessoais que começam a influir sobre cada um de nós mesmos.

Tomados de entusiasmo, torcíamos para não sermos pegos de surpresa por uma tempestade ou um tufão. Nossa road trip com chuva.

Nosso primeiro dia foi em Paraty. Fim da tarde: Trindade. Eis que no dia seguinte o inesperado acontece: o sol surge. O mesmo sol que havia nos guiado em Minas, acabou nos levando a trilhas, cachoeiras e praias de Trindade.

Nossa crença está aí. Mergulhamos na água doce e na água salgada. Presumo que estamos felizes.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Antes de dormir


Examino meu rosto no espelho. Sombrancelhas grossas e escuras. Olhos castanhos. Nariz. Boca. Muito bem, não falta nada.

Cabelo limpo e, por fim, decentemente cortado.

Faço um sorriso bobo, forçado. Mais um ponto a meu favor: dentes bons e certos.

A pele, boa. Atravessei toda a adolescência sem uma espinha, o que intrigava meu pai e aborrecia meu irmão, já que ele comia a mesma quantidade de chocolates que eu.

Deito-me na cama. As mãos acima da cabeça, olhando pro teto. Posso pensar bem de mim mesmo.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Essência emocional


Algumas pessoas perguntaram sobre os últimas postagens, sem entender muito o que estava se passando comigo. “Achei os textos tão fortes que nem quis comentar nada lá...” me fala uma amiga. Um outro diz que “tem uma carga densa” e que “eu passo a emoção de forma bruta”.

Preciso explicar então. Esses textos não foram escritos recentemente. Escrevi quando tinha 17 anos. Aliás o "Menos intensidade" e "O mesmo de sempre" postados em julho são da mesma época. Nunca os publiquei, e estou fazendo isso pela primeira vez.

Perdi muitas coisas – livros, fotos, álbuns, CDs – nas diversas mudanças de casa nesses anos todos. Porém, esse caderno nunca se afastou de mim... Gosto de me ler aos 17, ler essa versão antiga de mim mesmo. Abrindo a cortina do passado, entro em contato com minha essência emocional, meus desabafos sinceros. Todos pertencentes a uma esfera de sentimentos mais íntimos.

Reler e postar esses textos é como se o adolescente que mora ainda em mim começasse a (re)escrever os seus próprios textos.

sábado, 3 de outubro de 2009

Adolescência 6 - Nunca mais


De novo, acordado. Nunca mais, nunca mais.

Exausto. De olhos inchados. Olho para as mãos, para as unhas, de novo roídas. Não me lembro de tê-las roído.

O coração bate. Lento e cheio. No mesmo ritmo da horrível dor de cabeça que desponta bem atrás dos olhos.

Uma outra idéia vêm a cabeça. Ameaça-me. Tento expulsá-la. Não é agradável.

De frente pra minha casa, olho a janela do meu quarto. De manhã cedo, o quarto é meu inimigo. Há perigo pelo simples fato de estar acordado.

Mas agora, olhando a janela, parece-me um refúgio. Imagino-me dentro dele. Na cama, a salvo, com as cobertas puxadas até a cabeça.

Dormindo... Inconsciente... A idéia persegue-me... vem à tona.

O que está errado é agora visível, preocupante. Há motivo para preocupação, conforme suspeitava.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Adolescência 5 - Boca seca


Acordo outra vez com a boca seca. Durante alguns segundos terríveis não sei se está de novo acontecendo... ou pior ainda, se o tempo andou pra trás e ainda está acontecendo.

Não adianta! Não adianta pensar naquilo. Em nada vai mudar. O que está feito, está feito.

Ordeno a minha mente que me deixe em paz.

Que me deixe mergulhar num sono sem pesadelos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Adolescência 4 - O eco do meu grito


Acordo. Pareço ouvir o eco do meu grito dentro da cabeça.

Será que gritei alto ?

Fico a escuta de algum barulho, de alguém pulando da cama e correndo pelo corredor em direção ao meu quarto. Nada. O sangue pulsa nas veias. Primeiro quente. Depois frio. O coração bate dolorosamente.

Sento-me na cama. Acendo a luz lentamente, muito lentamente.

Nenhum movimento rápido. Tenho a impressão de que se fizer algum movimento mais violento, me espatifarei em um milhão de pedaços.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A guerra das meninas


Cris começa o dia comunicando “com grande pesar” que não poderá ir no cachorro quente. Informa ainda que esta “morrendo de saudade de vcs!!! semana que vem nos encontramos p/ um chopp ok?
Carol, indignada, dispara: “A Cris só fura... capaz do chopp semana q vem ela organizar e não aparecer... Típico de Cristina
Cris, em caixa alta, mostrando surpresa: “MEU DEUS DO CEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEU QUE ABSUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUURDO!
Carol replica: “ABSURDO?!? ONDE?!? VC É ASSIM!!!” E para quem sempre curtiu uma briga de mulheres, o fetiche começa.
Cris: “splat!!!”
Carol: “UI!”
Déborah entra, não sei exatemente em que lado, como se isso importasse: “POW”.
Babi surge: “CLAP, CLAP, CLAP!”
Debs insiste: "CRASH!"
Bernardo se anima: “Aposto cinquentinha na Carol!! Valendooo”.
Tai banca: “aposto 1000”.
Bernardo fantasia: “Se adicionarmos um ringue e lama, a brincadeira fica divertida...”.
Tai vibra: “essa ate eu (com um pouco de repulsa) gostaria de ver!”, e por aí vai... até o final do dia foram 98 emails...

Uma noite de celebração, cachorro quente, squência - arrancando confissões assustadoras - muitas gargalhadas. Fábio vibrou. Jogamos imagem e ação com poucas trapaças e algumas façanhas. Eu acertei um “capitão gancho” com um movimento isolado da Bela. Não sei como. Ninguém sabe. Mas eu acertei.

As quatro da manhã, alguns insinuam partir. Os riscos de um cachorro quente na minha casa são sempre avassaladores !!! Bela considera a possibilidade de eu ser expulso do prédio. Explico que sou um dos membros do conselho. O próximo: sexta, 9 de outubro. O dia amanhece feliz !

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Mais ventos


Alguns postaram no blog, outros, mais tímidos foram para o email. Houve protestos. Falei que essa galera é da ventania....

Babi diz: “Tá tão liiiiiindo o post...(mesmo que eu não tenha saído bem na foto =P)”, 2M também gostou, parafraseando Babi “(mesmo que eu não tenha saído – inteiro – na foto =P)”. Carol elogia em caixa alta: “CADU ADOREI!!!!”, protesta em caixa baixa: “Só uma reclamação: não estou na foto” e lança a corrente de ar: “quem é a ruiva da foto? Não me lembro dela em nenhum evento....”. Bernardo conforta Carol: “tb nao sai na foto (onde é que diabos eu estava nessa hora) mas eu lembro dessa ruiva sim, mas nem sei o nome e nem de quem ela era amiga, apenas sei que ela é a ruiva da foto, huahuahua”.

Levanto a hipótese dela ser um anjo da guarda, uma conselheira espiritual ou mesmo uma entidade...

Babi começa: “Eu sei a resposta (sou uma pessoa muito espiritualizada, sabe?), mas não vou falar pra não estragar o jogo...”. Ah tá, então os jogos já começaram.

Bela rememora nostálgica: “Me lembro, estou mais, digamos, bronzeada do q de costume pq tive q ir TODOS OS DIAS a praia. Até então achei q não fosse possivel enjoar de praia. Qnt a pessoa misteriosa, claro q me lembro, é a ***na, mas acho q ela faz parte do lado B do grupo. São aqueles q não pertencem a diretoria, não fazem parte da lista de discussão, mas q esporadicamente surgem nas festinhas”.

Cris vibra: “Isso mesmo Bela. A ***na eh adjacente no grupo! uma pessoa otima, mas nao eh diretoria...=P” e continua indignada: “agora acho um absurdo.. ela sair na foto ocupando o lugar de um dos nossos! hahahaha

Bernardo concorda: "Mas realmente, a ruiva, pode ser uma entidade que só aparece nas fotos, como disse o Cadu".

2M acredita que “ela apareceu, junto com aquele moleque, atrás da cortina do filme ‘dois solteirões e um bebê’... hahaha

Rodrigo, fervoroso, prega: “Meus fiéis, A "Ruiva do Lado B", como colocou nossa "Bela Morena do Lado A", tem nome! É, de fato, um mistério escabroso, mas alguns de nós, fiéis ao Senhor, sabemos qual é! E eu estou aceitando dízimo pela resposta! Qualquer contribuição para a obra do Senhor é aceita para comprovar a sua fé e desvendar este mistério. Se tiver fé, pague, e terás revelada a identidade da "Ruiva do Lado B"..." e despede-se: "Ô Glória, irmãos!"

Cris faz a constatação do dia: “TODOS VCS FUMARAM HOJE DE MANHA!” Babi ignora e abre mais ventania: “vc sabe que na maior parte das religiões "conselheira espiritual" não envolve sexo, né? (Só pra constar... =P)Cris volta: “A faxineira la de casa tb eh conselheira espiritual... Raimunda o nome dela”. Babi: “Mãe Raimunda!! Aquela que em três dias traz um homem pra...Bem, tirem suas conclusões”.

Tai aconselha: “Vcs têm que parar de usar essas drogas pesadas..." e solicita: "na mímica, quero estar no time do Rodrigo, ok?!”. 2M parece ter se interessado pela conselheira espiritual de Cris: “raimunda... se for feia de cara, mas boa de bunda... quem sabe... Mãe Raimunda de Timberlake... Eu trago o sexo de volta (I bring the sexy back) em três dias (yeah!)”.

Deborah acorda: “AUHAUHAUH to rindo da Mãe Timberlake!!! perdeu seu sexy? eu trago de volta! odeio o Justin Frangolino...to acordando sim gente, whata shame...” e faz seu presságio: “quarta-feira agitada, quinta preguiçosa, SEXTA EU TO LOCA!

Carol retoma ao ponto de origem: “Continuo sem minha resposta.... Que entidade é essa que não conheço???? Lembro do dia da foto, estava na mesa fumando o narguilê ”.

Ah, essas noites esfumaçadas.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

É tudo ventania


Sexta feira vai ter cachorro quente. Tudo é pretexto pra reunir os amigos aqui em casa, afinal já tem três semanas que fiz aniversário. Além do hot dog, vai ser uma noite de jogos: imagem e ação, mímica, desafio, detetive... Propus, através do nosso email coletivo, gato mia e salada mista, o que causou estranhamentos em alguns dos meus fellows. Tai é a primeira a manifestar: “Salada mista?!?! ta q ta hein Cadu”. Dani é contra: “Voto substituirmos por ‘eu nunca’!!!!Bernardo desafia: “Se a Dani tiver coragem de me enfrentar no boxe, levem o Wii, hauhauhau”.

A polêmica permance.

Cris: “SALADA MISTA??? CADU PERDENDO OS CRITERIOS!!! “ e sugere: “eu levo o twister!”.

Déborah aparece pra me defender: “mas cara vocês recriminando o Cadu por causa da salada mista e querendo levar TWISTER??? que em português poder ser traduzido para roça-roça, sarro, caio-no-seu-colo...”, e mostra-se aberta: “topo tudo! inclusive squência”.

Pergunto pra Déborah: “verdade ou conseqüência ?”

Ela responde: “Cadu é SQUÊNCIA mesmo, você não leu errado, é um novo nome pra verdade ou consequência... na verdade, é só verdade sem consequencia e de conteúdo sexual... um bêbado ensinou pra gente, ele tava de sombrero”.

Cris não concorda: “nao nao nao! é um jogo inocenteeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee vc q levou p/ esse lado!!!!!!!!!!!!!!” . Mostra-se radical: “não brinco de squencia nem de eu nunca”. Babi é mais flexível, mas opta pelo tradicional: “Tirando salada-mista! Até topo eu nunca, mas vou levar Imagem e ação!!!”.

Rogério se anima: “É na casa do Cadú, vai rolar joguinhos, drogas e ROQUENROU e ainda todos as pessoas muito amadas por perto! ESTAMOS COLADOS, COM CERTEZA...”.

2M chega em Tai: “Aí, Tai... tá afim de levar um som na festa? Se quiser, bora dividir um set?” O que de imediato ela responde: “blz, vamos levar um som!”.

Bela está tensa: “O que mais me preocupa nem são os joguinhos, mas a hora que devo estar lá. É sabido que tenho certa dificuldade d cumprir horários, por isso peço que fique clara essa informação”.

Déborah tenta ajudar Bela: “Então Belous a gente marca o horário, acrescenta duas horas e te avisa podeixar!”. Carol alerta: “Debs, se vc acrescentar 2 horas e avisar a Bela ela vai chegar lá no sábado! HAHAHAHAHA” Cris enfim corrige: “temos q diminuir 2 horas p/ bela chegar no horario!!!!!!!!!!!!!! =P”.

Até o presente momento, já foram 32 emails, imagino que até a hora do hot-dog deva se chegar à casa dos três dígitos.

Esses são os meus amigos, os amigos que amo. Um hot dog aqui em casa é um evento ! Para eles, uma corrente de ar não é uma corrente de ar... é tudo ventania.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Pilha de queixas 2

M. quer casar. Tem 36 anos, e namora há quatro. Pressiona o namorado há dois, que alega não ter condições financeiras para casar. Com isso, ela o considera "um autêntico perdedor, um loser", sem ambição, “um idiota fracassado que não sabe em que planeta vive”.

Pergunto sobre alguma qualidade dele. M. diz que seu namorado tem “um otimismo quase delirante, confia muito na sorte, isso é bom pra ele, já que ele é irresponsável”, e daí continua “como não tem competência, sempre arruma uma forma de se desculpar das burradas que faz, sempre pondo a culpa nos outros”.

O mais interessante é que mesmo o descrevendo como um tipo aloprado, M. quer casar. Com ele. Penso com quem M. realmente quer casar ? com o autor do tratado sobre o fracasso ou com alguma idéia de que aos 36 anos ela já deveria estar casada.

Ela me pede uma indicação de um analista para o seu namorado. Já antecipo sua frustração. No fundo, ela quer que alguém mostre que ele tem que casar. Com ela. Árdua tarefa.

Alega ainda que “foi muito investimento” e não vai “deixar barato, nem perder quatro anos assim”. Então o objetivo era só o casamento ? Ela não responde, diz que assim não estou ajudando. Talvez não esteja mesmo. M. tem um plano. Precisa de cúmplices para a sua farsa. Não estou fazendo esse papel. Tento fazer outro. Outro não lhe interessa. Instaura-se um impasse.

Ela diz que volta semana que vem.

sábado, 19 de setembro de 2009

Emergência


Minha mãe, uma mulher notavelmente inteligente, alega que nunca falou aquela frase.

O que ela recorda é que meu pai sempre deixava uma lanterna na mesinha de cabeceira para uma emergência.

Que, até onde posso me lembrar, jamais aconteceu...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Não antes da meia-noite


Há dois dias atrás, meu pai me ligou às 23h50min perguntando se eu estava com a televisão ligada porque estava passando uma matéria sobre o Egito que talvez me interessasse. Levei um susto. Não exatamente pelo horário. Mas sim, por eles não estarem dormindo e arriscarem me acordar.

Passei minha infância toda ouvindo que “falta de sono em demasia afeta a circulação”. Nunca comprovei se isso era verdade ou não. Tenho alguns pacientes médicos que talvez esclarecessem esse ponto, mas também nunca perguntei. Gosto de dormir. Tarde. Bem tarde.

Quando morava com os meus pais, houve poucas noites em que as luzes do meu quarto se apagaram antes da meia noite. O que intrigava a meu pai e aborrecia minha mãe. O que eu fazia de madrugada no meu quarto era o que eles em casa mais queriam saber.

Acho que ela nunca me viu bocejar. Devo ter passado toda a infância e a adolescência numa sinfonia de bocejos, mas nunca na frente dos dois. Bocejos não eram proibidos lá em casa, mas era como dar munição ao inimigo. Primeiro, eles falariam pelos cotovelos. Em seguida, anunciariam o presságio “falta de sono em demasia afeta a circulação”.

Confesso que foi irresistível receber essa ligação.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Estrela radiante


Não resisti. Continuo de rédeas curtas. Hoje então, bem curtas.

Quero postar mais um parágrafo sobre ela. Primeiro postar a foto em que ela está mais bonita. Gosto mais da anterior, porque na outra eu não estava bêbado. Nessa estou. Muito. Mas ela não.

Ela está toda elegância e auto-confiança. Olhos cheios de felicidade. Sorriso iluminado. Uma estrela radiante.

Nem sempre é assim. Às vezes a insegurança a visita e ela abre a porta. Já a avisei para não fazer isso. Ela esquece e depois me chama. Privilégio meu poder atender sempre ao seu chamado.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Luciana


Escrever sobre Luciana me deixa demasiadamente excitado.

Na verdade, estou me dando rédeas curtas para não me tornar um tanto ou quanto piegas. Já confessei publicamente que sou um exagerado tagarela. Mas quando penso na imensa quantidade de alegria que ela me deu depois desses anos todos, meu caloroso impulso é derramar todo o meu amor aqui.

Nos conhecemos freqüentando os bancos escolares do Colégio Santo Inácio. Numa época onde nossa maior preocupação eram as provas de química. As conversas iam do peso atômico do Bário até medos e inseguranças de adolescentes.

Luciana passou dez anos nos Estados Unidos, dez longos anos para mim. Sobrevivemos a isso, embora fui visitá-la várias vezes na Park Avenue. Tenho a impressão que ainda não compensamos todo o tempo que não passamos juntos.

Hoje é o seu aniversário ! Quase um feriado nacional na minha vida ! Não gosto muito de trabalhar nesse dia. Não gosto também que ela trabalhe, mas acho que não tenho muita escolha.

Dona de um caráter que não se presta a qualquer tipo de barganha, Luciana ocupa o grande montante de admiração pessoal que há em mim.

Prometi me dar rédeas curtas. Não estou conseguindo cumprir. Mas se eu tiver que sentar amanhã aqui, com uma espada nas costas, para continuar a escrever sobre ela, farei isto.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Tagarela


Sempre fui uma criança barulhenta. Uma das minhas brincadeiras favoritas era trazer o megafone da minha boca próximo a orelha do meu pai. Só me divertia se pudesse falar pelos cotovelos e fazer um terrível estardalhaço, num volume considerável.

Embora meu irmão achasse que eu era um completo maluco de alguma espécie, meu ego de aço achava engraçado deixar meu pai quase surdo de tanto que eu falava.

Na verdade eu era um exagerado tagarela. Muitas vezes me comportava como um louco. Quando eu estava nas alturas, não me custava nada falar horas seguidas, ás vezes sem nenhuma consciência de que havia uma, duas ou dez pessoas na sala.

Eram falas infindáveis.

Só mais tarde na vida aprendi a me calar.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Caminhada de retorno


A viagem pro Egito torna-se um grande marco na minha vida. Um mês, exatamente 32 dias. Atravesso o país, o Nilo e a árida beleza do deserto. Como uma miragem, um punhado de cenas exóticas de lugares estranhos visualmente memoráveis misturam-se em minha mente. Nada resta do passado ou do futuro, a não ser o vazio sob o céu. Não me sinto mero turista, e sim, um viajante em busca de si mesmo. Foi em Sakara, sob o impiedoso sol norte-africano, que se desenhou a importância dessa viagem.

Longas caminhadas em minha exclusiva companhia. Do outro lado do mundo, encontro-me num anonimato profundo. Atravesso mais uma membrana. Finalizo um ciclo da minha vida.

Volto ao Brasil, discreto, sem alardes, mais intimista do que nunca. Atitudes e conceitos reformulados. Retiro da minha vida as coisas mais óbvias, dando uma intimizada.

Prossigo assim minha caminhada de retorno.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Aniversário























Hoje é o dia do meu aniversário ! O dia em que me torno um tipo de unanimidade. Ainda com o ego inflado pelas pessoas que me cercam, estou colhendo os mimos, as atenções, as adulações.

A festa foi um momento de suprema alegria na minha vida. Tai chegou onde quis. Incendiou geral. Ela investe em diversas direções, como se quisesse provar que seu estilo, mesmo inconfundível, jamais se repete. Ninguém se surpreenda se o futuro dela for a música. Não será, de todo modo, uma mudança de rumo desconcertante para os mais atentos.

Bela foi a última a chegar. Sua entrada na festa lembra o final das grandes batalhas. É como se as trombetas anunciassem que o inimigo foi exterminado, novas terras conquistadas e que tudo, dali em diante, terá o gosto de mel. Um sabor de sucesso espalha-se no ar inquietando os mais calmos e entorpecendo os exaltados. Luísa, como que num passe de mágica, trocou definitivamente o departamento "promessas a vingar" pelo de "vanguarda pronta".

Luciana foi capaz de suportar o adjetivo: perfeita. Integrou-se à festa, alquimicamente dosada, para transmitir uma atmosfera amorosa.

Valter representava a calma do fim das tardes, enquanto Maria Olívia parecia não saber medir direito a profundidade de seu encanto. Capaz de antenar modismos e multiplicá-los, ela levantou vôo.

Rose, num comportamento de pré-estrelado, tipo diva intocável, reinou soberana. Atribui-se a ela poderes ilimitados. Márcia estava contida, bem menos disposta a provocar espanto. Fabrizio, preservou a espontaneidade, sem as antigas cautelas de ocasião e espaço.

Cris ficou acima das contingências do erro e do acerto. Pulava num simulacro de aquecimento desportivo. Déborah rodopiava em seu magnetismo arrebatador, que tudo ofusca. Conseguiu ascender do ponto invejável de estrela para mito. Um feito e tanto. Babi, numa cintilância de estrela, sempre prestes a criar matizes para o seu brilho. Rogério e Bernardo, endiabrados, eram a expressão de animação colegial, no meio a estripulias ao lado de Carol.

Eu estava demasiadamente excitado. Bombardeando melado para todos os lados, a 200 pontos de glicose, somando graus centígrados com decibéis. Me pus literalmente a dançar, a pular, a dar grandes saltos. Não importava quão veloz o tempo passasse. Não importava quão forte o calor das velas do bolo de aniversário. Eu não conseguia parar de sorrir. Toda a massa parecia ondular, para baixo e para cima. Superamos em álcool e fanfarronadas os limites do previsível. Todo o bairro manteve-se acordado. Uma música alta o bastante para fazer com que o Cristo Redentor tapasse os ouvidos com as mãos. Uma noite de farra em grande estilo, com um epílogo movimentado e surpreendente.

Prossigo assim minha caminhada de retorno.

Muito mais que uma celebração pelo tempo, um festejado retorno a mim mesmo. E que eu nunca mais perca tempo com nada que esteja aquém dos meus sentimentos.