
Poucas pessoas sabem o quanto foi difícil para eu voltar a acreditar em casamento. Mesmo assim, havia me decidido casar novamente. Mais confiante, me sentia mais seguro. Uma idéia me perseguiu durante toda aquela semana, adiar. “Vamos em frente, não adianta recuar” tentava repetir para mim mesmo.
Assumi o grande desafio e espantei o medo de passar o resto da vida fugindo desse compromisso. Torci para conseguir uma agradável reconciliação com meu coração. Queria dar adeus de vez aos fantasmas. Para isso, sabia que precisava confrontá-los, até perceber quais eram reais, quais eram imaginários.
Podemos ficar todos calmos. Acertei o passo, pisei com firmeza o caminho certo. Enterrei de vez o conturbado relacionamento anterior. Dividi o mérito com Leandro, indiretamente responsável por essa saudável guinada na minha vida. Reconciliei-me com meus pensamentos, afastando de vez todos os medos que me perseguiam.
Na nova casa, iniciei então uma rotina de confortadoras trivialidades. As aparições noturnas tornaram-se raras. As incursões diurnas ganharam fôlego. As pessoas não apareciam mais sem serem convidadas. Mais recluso, uma vida mais regrada, mal sou visto nos lugares. Mantive-me convenientemente afastado do eixo das badalações. Muito pouca exposição pública. À exceção de cerimônias, quando nada se pode fazer. Relembrei quanto vale uma vida privada.
Deixei pra trás as festas e toda publicidade em torno de mim. Me desfiz da imagem de uma pessoa agitada, com vida intensa. Sai de cena por longa temporada, esperando que a distancia pudesse dar a lucidez que me faltava. Queria existir apenas nos limites da minha domesticidade.
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