domingo, 23 de junho de 2013

Rafaela


Rafaela só me surpreendeu uma vez: quando a conheci. Foi uma surpresa tão grande e feliz que ainda hoje vivo sob seu impacto. Daí em diante foi só acompanhar os motivos com que essa constatação procurou se confirmar.

O auge da nossa história se dá em Berlim. Numa convivência diária, foram assinalados os limites da intimidade. Felizes e elétricos, lançamos mão de nossas atitudes arrojadas, atravessando toda a cidade de bicicleta. Rafaela é conhecimento, evolução e invenção.

Hoje é o seu aniversário. Esta é a notícia que circula pelo Rio boca a boca.


sábado, 22 de junho de 2013

Um ano depois



Um ano depois. Tardou, mas veio. Quase por acidente. Depois de um longo desterro, de dezenas de capítulos dispensáveis e repetitivos, de um acervo de lugares-comuns, de um número igualmente incomum de adiamentos. Impossível evitar a pergunta: valeu a pena tanta espera ?

A volta ao blog. Nada mudou ? Nem tanto. Talvez mais cuidadoso do que em outras ocasiões. O que, aliás, talvez dê no mesmo. E de talvez em talvez, vou me desvencilhando, irremediavelmente, do curso natural da sorte, sem qualquer solavanco.

Com idêntica naturalidade, o círculo se fecha. Músculos e nervos equilibrados. Tantos atributos somados não me concederam o dom de fazer milagres. Reescrevo permanentemente a mesma história, prodigioso memorialista, sem nunca deixar de me autoparodiar. Fui enfim catalisador - e vítima - da minha integral fidelidade a mim mesmo. O que quero dizer com isso ? Nem sei ao certo.

Só vendo pra crer. Num certo sentido, o tiro foi dado na direção certa. Mirei num alvo e acertei no outro, perdendo o senso de orientação no quarteirão seguinte. Embora tenha colocado-me a uma longa distância dos chamados critérios lógicos, mantive as rédeas em minhas mãos. O que não parece pouco, pode-se argumentar. Contudo, em se tratando de mim, nada é surpreendente.

Um caso agradável de reconciliação comigo mesmo.

terça-feira, 12 de junho de 2012

A volta



"Que o seu caminho seja sempre doce. Que você tenha sempre pequenas coisas e grandes pessoas pra te lembrarem quando você esquecer. Que você tenha medos, mas saiba que pode tê-los porque vão passar em abraços apertados, em conversas ao pé do ouvido, em lembranças felizes. Que um dia eu seja isso tudo pra você, e você pra mim. Que você demore o tempo que for necessário pra que isso seja possível. E nem um minuto a mais.

Que não fique, nunca, um gosto amargo na sua boca. Que você vá doce, e que você vá leve. Pra voltar assim pra mim, me abraçar forte e me dizer que está tudo bem pra gente começar de novo.

Que a gente possa sempre começar de novo."

sábado, 26 de maio de 2012

Sem esforço para lembrar

"A estrada vai além do que se vê", frase certeira para quem faz seu caminho e encontra surpresas no trajeto. Há muito tempo não ouço Los Hermanos. Desde que comprei o novo computador, ainda não baixei nenhuma de suas músicas. Comecei a ouvi-los em 2002 e voltei com mais intensidade em 2006/2007. Depois, parei. Ou precisei parar. "Quem sabe o que é ter e perder alguém ?"

Ontem, estive na Fundição Progresso, para vê-los, num show que comemorava os 15 anos de estrada. De uma estrada que foi além do que se via. Cris já havia comprado ingresso no começo do ano. Babi queira muito ir ao show. Fomos. Ouvimos o vento passar e assistimos a onda bater. Fiquei surpreso como consegui cantar quase todas as músicas só recrutando minha memória afetiva. Parecia que eu havia passado o som na noite anterior. Lembrei de quem me viu lendo o jornal na fila do pão e soube que eu encontrei alguém. Não foi preciso esforço para lembrar, afinal não há vontade alguma de esquecer. Lembrei também das vezes onde não disse o que pensava e era quando eu mais pensava em dizer. Lembrei do quanto sou sentimental e principalmente dos sufocos e dos sossegos quando eu mostrava o quanto estava afim de acompanhar.


Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir... e rir.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Hora do lobo

A madrugada é a hora do lobo. Quando as criaturas se encontram sem defesas diante do mundo. Ocasião em que os doentes graves encerram sua agonia. O sono é mais pesado. Os pesadelos são mais reais. Os momentos que antecedem o amanhecer.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Tempo presente


É incrível como todas as minhas voltas ao passado têm como ponto inevitável o tempo presente.

sábado, 31 de março de 2012

Separando as águas



A foto teima em se repetir. Um lugar longe de ser o mesmo. O sutil deve ser óbvio, além de grandioso. Bela captou essa imagem nos Lençóis Maranhenses. Gosto do conceito - olhando o que está por vir. Alternando presente e futuro. Comprovando que minha sensibilidade talvez não seja tão sensível.

Lá estava eu. Mais uma vez. Recebendo os dias que chegam. Dotado de bons reflexos e más reflexões. Ou seria o contrário ?

Nas entrelinhas, eu estava simplesmente separando as águas.