
Ontem revi “
Closer” (2004) com Julia Roberts(Anna), Natalie Portman(Alice), Jude Law(Dan) e Clive Owen(Larry).
O filme traz a tragédia do amor, cheia de ciúme, desejo e traição. Trata-se de mentiras que contamos uns aos outros com muita convicção e ao mesmo tempo, com muita honestidade.
Dan cruza com Alice, recém-chegada dos Estados Unidos, no meio de uma rua de Londres. Amor à primeira vista. Mas, como diz o título, se acreditamos nesse amor instantâneo, nunca pararemos de olhar. E é isso que acontece. Passado uns meses, Dan conhece Anna numa sessão fotográfica e esse é o início de um trágico desmoronar de valores.
À semelhança do encontro de Dan e Alice, o de Anna e Larry, motivado por uma confusão de identidades, é também ele metafórico, no que diz respeito à ignorância e ao engano de que serão alvo, pelos outros e também pelos seus próprios sentimentos.
A verdade é constantemente evocada, e aparece muitas vezes sem nenhuma compaixão. A ironia é que nenhum deles é sincero. A não ser na sua infidelidade. Anna procura a verdade, mas adia-a repetidamente. Larry joga com os sentimentos dos outros para conseguir o que pretende: Anna. Dan exige a verdade, mas mostra-se ressentido quando a encontra. Alice, habituada à ilusão na sua profissão de stripper, parece ser a única que assume e luta pelo seu compromisso, fiel ao amor que sente.
Conseguimos ver a dor e o sofrimento de perto.
Perto demais.
Os personagens não tem família, amigos, passado ou futuro. Parecem só existir em relação a cada um dos outros.
“
Closer” fala sobre pele. Afinal de contas, existe uma stripper e um dermatologista. A pele como proteção e como barreira. Quanto à nossa pele, essa fica a cargo da voz de
Damien Rice, em
The Blower’s Daughter, que ficou pelo menos um ano ecoando no meu ouvido. E acho que no ouvido de muita gente.
Porém, o melhor do filme é a virtude da imprevisibilidade. Como a vida. Como o amor. Nem um nem outro são isentos de dificuldades, de dores, de culpa. Quanto mais perto chegamos de alguém, maior a probabilidade de nos magoarmos.
Destaquei ainda algumas frases do filme, que considero sensacionais:
“
Have you ever seen a human heart? It is like a closed fist wrapped in blood.” CLIVE OWEN (Larry)
“
I don’t love you anymore, goodbye.” NATALIE PORTMAN (Alice)
“
I know who you are. I love you. I love everything about you that hurts.” CLIVE OWEN (Larry)
“
Where is this "love"? I can't see it, I can't touch it. I can't feel it. I can hear it. I can hear some words, but I can't do anything with your easy words.” NATALIE PORTMAN (Alice)
“
What's so great about the truth? Try lying for a change - it's the currency of the world.” JUDE LAW (Dan)
E, é claro, a música que ecoou no meu ouvido durante todo um ano.
The Blower's Daughter (
Damien Rice)
And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...
And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...
Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...
My mind...my mind...
'Til I find somebody new