sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Manhattan


Custou, mas aconteceu. Manhattan, New York City.

Passei exatamente dez anos sem ir a Nova Iorque. Nem sei bem porque. Talvez achasse que já havia ido o bastante. Uma desbotada desculpa. Mas é justamente aí, nessa intransponível certeza, que percebi que, de fato, havia me enganado.

E assim, quase por acidente, voltei a Manhattan, New York City. Tenho uma inclinação romântica por essa cidade. Sempre a imagino em preto-e-branco e ao som das músicas de George Gershwin ou Cole Porter (What is this thing called love). Assim, com meu melhor sorriso, voltei ao Upper East Side e ao Guggenheim. Voltei a Chelsea, Tribeca, Soho, Village e percebi o tamanho do meu inconveniente saudosismo. Voltei ao MOMA, sem dúvida, o melhor museu da ilha. Nada, no entanto, parece ser tão fascinante como o Central Park. Justificável emoção.

O Central Park é uma parada obrigatória para pensar. Principalmente nessa época do ano em que ele está todo branco, enquanto minha vida está atribulada de incertezas. Minha imaginação continua a desconhecer limites. Fechando os olhos, com o auxílio de um ipod, aciono cenas gravadas e arquivadas na minha memória. Passo a vida a limpo. Recupero projetos frustrados. Resgato amores antigos. Apresso novos sonhos. Afasto temores escondidos. Ameaço trilhar tantos caminhos que acabo passando por cima de todos eles.

Penso no ano que começa. Que até então, não ofereceu ainda nenhuma previsibilidade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário