Amarna é o nome árabe de uma localidade que funcionou como capital do Antigo Egito durante o reinado do faraó Akhenaton (Amenófis IV), sendo então designada como Akhetaton (horizonte de Aton). Está situada na margem oriental do rio Nilo, na província egípcia de
El Minya.
O faraó decidiu fundar uma nova cidade que funcionasse como sede para o novo culto religioso, tendo escolhido uma região entre Mêmphis e Tebas, duas importantes cidades do Antigo Egito. Com a morte de Akhenaton, a cidade deixou de ser a capital.
O Egito é o passado que se abre à minha frente, deixando-me às cegas. Parece uma parábola de ressonâncias bíblicas cheia de segredos e mistérios, onde o que se vê não é o que parece e ninguém é o que se imagina. Tudo aquilo é bastante inverossímel, mas, afinal, onde no Egito não é.
Há uma atmosfera repressora que causa desconforto e aguça a sensibilidade. Uma curiosidade inesgotável, uma ameaça extra, uma inquietação a mais. Me sinto em equilíbrio perfeito sobre o fio da navalha, como se um barril de pólvora estivesse à espera de uma fagulha. O sol brilha alto. Na medida em que o dia avança, o calor aumenta.
Os egípcios, vestindo disfarces psicológicos em suas caras aborrecidas, são convincentes na atmosfera amedrontadora que criam. Rostos que dosam estados de espírito podem ser mais eloquentes em silêncio. Chego a suspeitar se eles não sentem um pavor dos ocidentais, cúmplices resignados. É como se todos nós, visionários, pressentíssimos o perigo e descobríssemos que esse perigo nasce do lado mais sombrio e perigoso de cada pessoa.
Na vida, há os que fazem o que querem e os que querem e não fazem. Fica a critério de saber quais se destruirão mais depressa.
No final da tarde, os trovões pontuam a paisagem elaborada anunciando a chuva que teima em não cair. Tem-se a impressão que algo ameaçador está prestes a acontecer.