terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Despedida


Chegamos ao último post de 2009. Um ano emotivo, com começo, meio e uma fatalidade própria.

2009 inicia-se no auge. Na melhor festa de reveillon que de longe já estive. Feliz. Extasiadamente feliz. Mais feliz do que em qualquer outro momento na vida.

Uma semana depois, viajo para o Pantanal Mato-Grossense. Queria fugir do urbanismo das grandes cidades, em busca do característico, do esquecido, do desconhecido, do inesperado de várias regiões brasileiras. Lá, ouço a liturgia dos rios e flutuo na lerdeza de suas águas. Descubro Bonito, um lugar de chuva morna e ventos verdes. Em pleno verão, já estou no sul da Bahia, em Itacaré, numa sucessão de praias lindas e selvagens e de morros cobertos por florestas e coqueirais.

Percorro a região sudeste. Passo pelas montanhas mágicas de Minas Gerais (Ibitipoca, Aiuroca, São Thomé das Letras). Por São Paulo (Ilhabela) e pelo Rio de Janeiro, a região serrana, a região dos lagos e a história em Paraty, Trindade. Volto ao nordeste, no paraíso ecológico que é a ilha de Fernando de Noronha, num dos melhores invernos da minha vida.

Um ano solar. Cheio de estradas abertas no meu caminho. Muitas risadas, praias, cachorros quentes, yogoberries, fanfarronices. Um ano entorpecido pela presença feminina de Luciana, Rose, Maria Olívia, Tai, Babi, Cris, Déborah, Bela, Luísa, Márcia.

Em outubro, a fatalidade: na descoberta de um câncer, Fábio sai da minha vida, deixando um enorme vazio e o meu coração cheio de saudades. Ainda espero que o tempo, como na canção, vá curar a ferida.

2009. Um ano emocionalmente forte. Por isso decidi viajar. Meu jeito cigano gosta de partir sempre antes da hora.

Feliz Ano Novo !

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Valter


Foi com Valter que fiz uma das road trips mais legais de toda a minha vida. Pegamos o potente Toyota Corolla novinho de sua mãe e partimos às cinco da manhã, para uma viagem de 20 dias. Do Rio de Janeiro até Florianópolis, ilha de Santa Catarina, passando por São Paulo e Curitiba. 20 dias afastados e desligados de qualquer coisa real.

Não sei como consegui convencê-lo. Valter não gosta muito de praia. Nunca gostou. Eu gosto. Muito. Meu poder de persuasão devia estar em alta. Percorremos quase todas as praias de Floripa. Praia Brava, dos Ingleses, do Santinho, da Galheta, Mole – de longe, a minha preferida -, da Joaquina, do Morro das Pedras – o por do sol mais bonito de Floripa -, da Armação, do Matadeiro, da Costeira, de Jurerê.

Valter é de fácil convivência. Sempre riu muito das minhas palhaçadas, das minhas caretas infantis. A caminho de Curitiba, na rodovia Régis Bittencourt, popularmente chamada de "Rodovia da Morte", falei alguma coisa que ele riu por quase dez minutos. Não consigo me lembrar o que foi. Mas consigo recordar o sentimento, e principalmente, de que não conseguia fazê-lo parar de rir. Seu sorriso avançava ou recuava enquanto seu corpo movia em direção contrária. Um sorriso que não deixava de ser esplêndido pelo fato de não fazer nenhum sentido. A sorte é que eu estava no volante.

Hoje é seu aniversário. Dia de natal, de confraternização, de família. Valter é família. Um daqueles irmãos que a gente guarda do lado esquerdo do peito. Um irmão para toda a vida.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

É natal, é natal...


Esse será o meu primeiro natal sem Fábio.

Como vocês sabem, Fábio tinha idéias próprias. Decidiu sair da minha vida muito antes do previsto. De forma súbita e silenciosa.

Hoje me peguei lembrando de tudo que vivemos juntos. O ar de alegria que manifestava ao ver-me avançando em sua direção. O costume cotidiano de acompanhar-me até a porta da frente e ajudar-me a esperar o elevador.

Fábio sempre foi inclinado a crer que onde há fumaça, há filé mignon. E muito poucas vezes fogo. Por isso adorava o natal, a casa cheia, almoços, aniversários, amigo oculto, reveillon. Fábio era mesmo neto do meu pai.

Um dia desses andando na praia me senti muito feliz e completo. Fábio me trouxe algo que eu não conhecia e me encheu de amor. Por isso, mesmo sabendo que não o terei fisicamente ao meu lado na noite de hoje, sei que o amor que ele deixou estará sempre comigo.

Feliz natal !!

Que o amor do Fábio nos sirva de exemplo.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Então é Natal !


Uma noite de ensolaradas declarações. Uma festa longa – começou pontualmente às 21hs, onde todos se uniformizaram com gorros vermelhos de Papai Noel. Então é Natal !!

Ao contrário do ano passado, não fechou redondo. Foi difícil manter o quebra-cabeça e conter as euforias. A ansiedade, ou talvez a quantidade de vinho, provocava mais risadas do que advinhações.

Rodrigo, com uma extensa carta cheia de mimos e adulações, inicia a noite. Da janela, alguém grita: “É a Carol !” Bingo ! Era mesmo. E olha que a carta era quase um desafio chinês.

Carol me tirou de amigo oculto, lembrando minha “fidelidade canina”. Muito obrigado. Adorei mesmo. Eu, sortudo que sou, tirei a Tai e não me canso de dizer que sinto me imensamente grato a ela. Tentei defini-la como “uma gata manhosa esperando pra dar o bote”. Não é que teve gente que pensou que era a Bela ?

Daí pra frente a esculhambação correu solta. “Se fosse uma doença mental”, “se fosse um erro”, “se fosse um processo na justiça”... Uma teoria que desenvolvo: depois do terceiro que sai, começa a fanfarra e os clarins. Mas tentamos seguir, aos tropeços, ao final da cerimônia.

Tai tirou o Rogério – que fez sua dancinha tradicional – e entregou seu presente para Dani, estreando com elegância em nossa festa anual. Rose chamou Babi de “ursinho”. Babi chamou Bela de “sereia”. O reino animal ganhando mais forças aqui no final do Leblon.

Bernardo lembrou que seu amigo oculto tem “cheiro de mato e terra molhada”. Ah, essa foi fácil: Déborah, que trouxe do Museu Imperial de Petrópolis seu presente para nossa adorável Cris, com direito a mais uma ensolarada declaração de amizade.

Gabriel não compareceu. Foi representado por Joana, a darling da noite. Mandou um presente pra lá de criativo. Muito evangélico, mas pra lá de criativo. Estamos todos ainda decifrando o maior enigma do jogo. Em sua homenagem, apertamos um.

Uma noite de surpresas. Luciana e Ronaldo compareceram rapidamente. Sobraram bebidas. Bela chegou na hora marcada. Joana ganhou dois presentes. Juro que ouvir o Fábio dar um latido.

Esses são os meus amigos. Cada um com suas múltiplas personalidades. Tamanhos e formas diferentes. Cores variadas e individuais. Mas são os amigos que eu tanto amo.

Feliz Natal pra todos vocês ! Ano que vem, a festa promete mais surpresas.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Márcia


Márcia é um doutorado. Diplomada pelas saudáveis extravagâncias da vida. Quem quiser entender essa mulher, deve conhecer um pouco do Egito antigo, de mitologia grega, das cartas do Tarot e principalmente de espiritualidade. Só ela tem a facilidade de entrar em vários mundos sem nunca pertencer a nenhum deles.

Exímia contadora de enredos e autora de confusões deliciosas, ela relata memórias de uma vida preenchida com muita emoção: sua tumultuada - e sempre divulgada - vida íntima, seus arroubos passionais, sua alardeada história afetiva. Muitos imprevistos no meio do seu caminho. Como se tudo se resumisse a mais uma canção de amor. Ou desamor.

Adoro sua loucura escancarada, seu estilo franco, seu discurso empolado, sua exibição de audácia, sua genuína generosidade. Márcia transborda o feminino. Só ela é capaz de ir de um extremo ao outro com inacreditável rapidez.

Hoje é seu aniversário. Dia de sol e mar. Dia também de chuva, raio, relâmpago, trovão e tempestade.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Amigo oculto


A sorte foi lançada. Segunda é o dia do nosso amigo oculto. Vai ser aqui em casa. Numa pontualidade que lembra os fenômenos meteorológicos. “O meu amigo oculto é alguém muito especial...” sempre o texto inicial. Vai ser mais uma noite de ensolaradas declarações. Se tudo correr bem, deve prosseguir até às cinco da manhã com todos um pouco embriagados. De vodka e de amor. A gente bem sabe como essas coisas acabam.

Mesmo entre os meus amigos, não faltam os piores loucos e os excêntricos. Mas eu aprendi que até amigos vêm em tamanhos e formas diferentes. Com cores variadas e individuais.

Adoro a festa do amigo oculto e tudo que nela envolve. Esforços atenuantes. Tentativas de trapaças. Implicâncias gratuitas. Façanhas para adivinhar quem tirou quem. Expressões de entusiasmo. Curiosidade nos olhos. A do ano passado fechou redondo – fato raro. Começou com Cris, rodou, rodou, rodou, terminou em Cris.

Esse ano minha antena não colheu quase nenhuma pista sobre os presentes.

Assim são eles. Cada um com suas múltiplas personalidades. Tão intensamente diferentes uns dos outros.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Pilha de queixas 5

Qualquer pessoa pode ser abalroada por uma série de situações incontroláveis. Tão prosaico princípio não impede que T., com sua índole cáustica que se põe em ebulição diante de uma rejeição, abra a estação da guerra generalizada. Segundo ela, seu 'ficante' desde que começou a namorar, a tem tratado como um "réptil repulsivo".

Acometida de um acesso de mau humor e numa total ausência de amor-próprio, T. enviou um e-mail para o 'ficante' que não quis namorá-la. Isso, é claro, depois de nove ou quinze ligações ofensivas, sempre aos berros. Com as mãos crispadas e o peito sacudido por socos interpretativos, T. recitou o seguinte texto aos gritos, aqui reproduzido na íntegra:

você não presta, nunca prestou, engana as pessoas, usa e joga fora, você ainda vai sofrer muito, mais do que já sofreu, se existe um Deus, vai sofrer... se Deus quiser e muito ainda, o que sofreu até hoje não foi nada, com certeza, vai pro inferno ! seu idiota, você acha que é feliz, mas no fundo você sabe que não é, é infeliz e amargo por dentro”.

Um ataque malévolo, onde ela o condena à danação eterna. T. cria um universo sombrio e sepulcral para ela mesma. Penso: 'As pessoas podem ser muito cruéis quando contrariadas'.

O ódio é somente um sentimento que todo ser humano tem. Muitos de nós não o alimentamos, nem fazemos dele a maior coisa da nossa vida. T. faz uma escolha em usar esse ódio na potência máxima como lente pra enxergar tudo e isso vira um guia, uma bússola. Ela opta por ter raiva e medo.

Essa raiva nada mais é do que produto do medo.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Ameaça


É fato que a sinalização na estrada é fundamental. As placas nada mais são do que um conjunto de sinais de trânsito colocados para garantir sua utilização adequada. Garantem maior segurança aos veículos que nela circulam.

Mas o que dizer quando a placa é ameaçadora ?

Foto tirada por Cris.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Onde a estrada levar


Outono é a estação do ano que mais gosto. Sempre foi. Há algo de muito agradável no outono. Ele chega com suas rajadas de vento e interrompe as torrentes de chuva do verão. O outono alegra a alma. O coração fica um pouco mais leve.

Adoro estrada. Sempre gostei de pegar o carro, indo pra onde a estrada me levar. Parece que todos os caminhos são certos.

Decidimos subir a serra. Eu, Cris, Babi e Bela. Gosto do que acontece durante a viagem de carro. Nosso senso de humor sempre se transforma em boas histórias.

Quando liguei o rádio, um ataque frontal.

We'll do it all, everything, on our own.
We don’t need anything or anyone.
If I lay here, if I just lay here,
Would you lay with me and just forget the world ?

I don't quite know, how to say, how I feel.
Those three words are said too much, they're not enough.
If I lay here, if I just lay here,
Would you lay with me and just forget the world ?


Um daqueles momentos raros que pegam a gente de surpresa e quase tiram o fôlego.

Chasing cars. Open your eyes. Grupo escocês Snow Patrol. Essas músicas me trazem lembranças...

Despojados, estávamos inundados por um imenso bem estar. Rindo para a câmera, a imagem da confiança. E tudo isso numa manhã de outono.