sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Pilha de queixas 5

Qualquer pessoa pode ser abalroada por uma série de situações incontroláveis. Tão prosaico princípio não impede que T., com sua índole cáustica que se põe em ebulição diante de uma rejeição, abra a estação da guerra generalizada. Segundo ela, seu 'ficante' desde que começou a namorar, a tem tratado como um "réptil repulsivo".

Acometida de um acesso de mau humor e numa total ausência de amor-próprio, T. enviou um e-mail para o 'ficante' que não quis namorá-la. Isso, é claro, depois de nove ou quinze ligações ofensivas, sempre aos berros. Com as mãos crispadas e o peito sacudido por socos interpretativos, T. recitou o seguinte texto aos gritos, aqui reproduzido na íntegra:

você não presta, nunca prestou, engana as pessoas, usa e joga fora, você ainda vai sofrer muito, mais do que já sofreu, se existe um Deus, vai sofrer... se Deus quiser e muito ainda, o que sofreu até hoje não foi nada, com certeza, vai pro inferno ! seu idiota, você acha que é feliz, mas no fundo você sabe que não é, é infeliz e amargo por dentro”.

Um ataque malévolo, onde ela o condena à danação eterna. T. cria um universo sombrio e sepulcral para ela mesma. Penso: 'As pessoas podem ser muito cruéis quando contrariadas'.

O ódio é somente um sentimento que todo ser humano tem. Muitos de nós não o alimentamos, nem fazemos dele a maior coisa da nossa vida. T. faz uma escolha em usar esse ódio na potência máxima como lente pra enxergar tudo e isso vira um guia, uma bússola. Ela opta por ter raiva e medo.

Essa raiva nada mais é do que produto do medo.

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