Dia 26 de julho de 2009. Há exatamente um ano atrás, nascia “Mesmo que nunca se aprenda”, o blog. Foi num dia de Leblon Jazz Festival. Cris passou aqui em casa para abrir o blog, enquanto preparamos caipivodkas com as bebidas da minha última festa. Fomos encontrar Bela, Luisa e alguns outros amigos.
Há um ano que escrevo sobre minha viagem ao Egito, onde se iniciou um emblemático processo de mudança, com uma guinada de 180 graus. Há um ano que reedito textos meus escritos no fim da minha adolescência, uma época em que eu buscava algo que eu nem sabia.
Há um ano também que estou focalizando a personalidade dos meus melhores amigos, fazendo declarações ensolaradas de amor a todos aqueles que compartilham minha intimidade. Consegui que o blog tivesse meu olhar, e principalmente, a presença congestionada deles, seja nos posts ou nos comentários, com todos os apelos mágicos que a magia traz. Desde Luciana, presente na minha vida há trinta anos. Como todos os que vieram depois, todos portadores do meu amor. Inclusive, minhas adoráveis meninas - a melhor colheita dos últimos anos - núcleo central da nossa sagrada quadrilha.
Adoro todos os posts que escrevi para os meus amigos. Isso eu digo assim modestamente porque, acredito, que os posts se parecem mais com eles que comigo.
A escolha dos assuntos – os que mais me fascinam - acabou por recair naqueles que são ligados diretamente às conexões humanas, os encontros e desencontros, uniões impetuosas e equivocadas, o antes, o início, o meio, o fim e o depois.
Construo histórias que caminham paralelas, reunindo seus fios da meada. A segurança que atinjo hoje me dá a chance e o pulso para espraiar a narrativa por outros personagens, seja no meu consultório, seja na minha vida pessoal, lançando mais luz sobre outras vidas. A idéia de lidar com figuras secundárias é mais vasta e abrangente. Embora saiba que estou sempre escrevendo a mesma história. A minha história.
Na verdade, “Mesmo que nunca se aprenda” continua sendo um auto-retrato, reflexo exato do que penso e sinto, revelando o lado mais íntimo e desconhecido da minha personalidade. Traço um mosaico onde procuro oferecer sempre uma fotografia de mim mesmo. Apontando o caminho mais intimista que tenho buscado nos últimos anos. Parafraseando Marisa Monte, um infinito particular no universo ao meu redor. Ou como ensinava Guimarães Rosa, o mais particular não é senão o mais universal: “O sertão é do tamanho do mundo”.
Foi uma aposta ousada. Confesso que não esperava a atenção e o interesse que despertou. Fico surpreso e grato. Não conto com uma aprovação irrestrita, mas continuo feliz com a empreitada. Boca aberta em riso. Continuo confiando na sorte, nos dias que correm.





