quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Despedida


Chegamos ao último post de 2010, um ano que pode ser classificado como um tempo de continuidades. Não trouxe tantos abalos, como ano passado, quando Fábio subia aos céus.

Mesmo que nunca se aprenda” me ajudou a descobrir o monólogo interior. Foi um avanço meio vanguardista. Estou gostando muito da maneira que estou escrevendo. Num ímpeto. Sem analisar muito. Estou mais solto, separando meus pensamentos com pontos e vírgulas. Sinto-me assim como um escritor memorialista, fazendo registros sobre mim e minha "galeria de eleitos". Aproximando-me da tarefa de fazer história. A minha própria história.

Nesse balanço final, 2010 jamais poderá ser visto como um ano que some do calendário em brancas nuvens. Pelo contrário. Talvez devesse ser compreendido como o ano mais determinante da minha caminhada de retorno iniciada em janeiro de 2008, em minha viagem ao Egito.

Um ano cercado de grandes amigos, sempre acrescentando impulsos a essa caminhada. Talvez me preparando para outras experimentações, contenções e reviravoltas.

Feliz ano novo !

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Tempo de festas


Questão de meteorologia. Previsão do tempo: estável, nublado e denso.

Fim de ano: tempo de festas – melancólicas ou não. Sei que toda essa conjugação de forças astrais parece simbolicamente caldeada em melancolia. De um lado, quase todos os meus amigos são unânimes em dizer que acham o natal enjoado. Do outro lado, gosto da oportunidade de rever todos e bulir com a criatividade alheia.

Feliz Natal pra todos !

domingo, 12 de dezembro de 2010

Então é Natal !


A expectativa, enfim, teve a recompensa merecida. De modo que era mesmo pra dar no que deu: A festa resultou impecável. Deslizes houve, mas pequenos, insignificantes diante de nossas declarações ensolaradas. Não posso negar a enxurrada de chavões ou os trocadilhos de doer o ouvido. Porém, tiveram também os grandes momentos de improvisação inteligente. A descontração foi obtida através de presentes originais.

Lá pelas tantas, Cris, com seu espírito indômito, inicia a brincadeira presenteando “a sangue frioCarol, que entrega seu caríssimo (nos muitos sentidos) presente para Rogério, sob os gritos eufóricos de “é marmelada”. Acho que foi isso. Os sons e as palavras estavam praticamente inaudíveis. Rogério, pela segunda vez consecutiva, presenteia Dani, que presenteia Cris, fechando o primeiro ciclo da noite. Intervalo ? Nada, a festa é corrida mesmo.

Babi reinicia entregando seu presente para Déborah, a figura mais festiva da noite, em verdadeiro clima de comemoração. Ela me entrega então dois presentes: um açucarado, prontamente armazenado – só a Babi tirou um tasco -, e outro virtual, a ser adquirido na segunda semana de janeiro. Eu, também pela segunda vez consecutiva, tirei a Tai, que recebe das minhas mãos um presente cercado de toda gratidão que tenho por ela.

Bela, como todos sabem, dança conforme a música e não faz distinção do gênero, foi o amigo oculto de Tai ("há exatamente dois anos atrás, Bela entregava um presente para a casa nova de Tai"). Pois é, ela comprou para o vascaíno Bernardo um símbolo do Flamengo. Uma proeza. Opa, foi isso mesmo ? Logo para o nosso gênio piadista ? Eu falei anteriormente dos deslizes, mas volto a retificar que foram insignificantes. O ciclo se fecha com ele presenteando Babi.

Porém, o principal é entender a que serve esta festa. Primeiro, claro, há de ser lembrado o espantoso grau de ‘zoação’ que se manifesta através de gestos, caretas e sorrisos. Segundo, constatar que qualquer encontro da “confraria de amigos” ultrapassa os limites do acontecimento meramente natalino. Afinal, somos uma parceria de parceiros, que no final da noite, ainda faz uma promessa de irmos todos juntos para a África do Sul. Ou seria o Arizona ?

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Amigo oculto


A hora chegou. A torcida é grande. Assobios múltiplos. Acaba de ser dada partida para nossa festa de amigo oculto. O assanhado projeto disputado no câmbio negro. O regulamenta estipula: como garantia de sigilo, devemos todos permanecer em silêncio.

Como todos já sabem, adoro a festa do amigo oculto e tudo que nela envolve. Esforços atenuantes. Tentativas de trapaças. Façanhas para adivinhar quem tirou quem. Expressões de entusiasmo.

Vai ser aqui em casa. Decisão tomada, decisão acertada. Faz diferença ? sim e não. Minha casa tornou-se a sede de nossa sagrada quadrilha. Estarão todos aqui. Nossa “confraria de amigos”.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Água do mar


A imagem da água do mar. A composição química igual à que envolve a placenta da mulher antes do parto. Sempre quis uma foto assim. Rompendo o líquido. Como se eu estivesse mesmo vindo à tona. Renascendo de um impulso forte, quase predeterminado.

A ressurreição se comprova numa liberdade sem freios. Os olhos insistem ainda em se arregalar, deslumbrados, para a vida.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Idéias novas


Passo os dias assoviando idéias novas que me vêm de vez em quando à cabeça. Esperando as tardes ensolaradas do verão que se aproxima.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Sintonia


Todas as parcerias são boas, até serem consideradas ótimas. Valeu a pena esperar. Ainda que por acaso, o encontro nada teve de inconseqüente. A sintonia de estilo escreveu uma história de lenda. Assim, a responsabilidade pelo enlace deve ser toda lançada sobre as nossas costas.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O pulo do gato


A combinação é curiosa, mas funciona. Nós somos dos poucos a exercitar incansavelmente o pulo do gato. Com nossa inesgotável imaginação, procuramos inovar, atrever, apostar no improvável, mesmo que isso nos custe momentos desfocados. Procuramos fazer do nosso pulo do gato uma verdadeira seqüência de piruetas.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Descoberta


Nas mais rudimentares previsões meteorológicas, basta erguer um dedo aos ares para sentir que há bons ventos.

Pois é. Descobrimos que a terra é azul, o amor existe e a melhor arma do mundo é a ingenuidade. Mas o que queremos – e confessamos ter alcançado – é a nossa felicidade.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Gritos, grunidos e guinchos


Nas festas que eu e Mrs. Miller frequentávamos - que mal me deixavam tempo para dormir - no reino superpovoado, sempre fazíamos inesperados amigos. Diante de tal superpopulação de tipos e pecados, difícil se tornava diagnosticar quem era quem, ou quem fazia o que em relação a quem.

Era um babilônico festim, com sua horda de bárbaros, corpos minuciosamente sarados, músculos torneados em aparelhos de musculação e bíceps desenvolvidos esbanjando saúde. Uma hilariante orquestração de excentricidades, ao som de verdadeiro tambor de guerra africano, onde pessoas, objetos e acontecimentos podiam ser permutados à vontade. Uma galeria de figuras que pareciam ter sido traçadas a bico-de-pena por um cartunista em estado de graça.

Havia uma completa ausência de identidades pessoais: vivia-se um êxtase solitário sem nenhuma ligação além do puro contato físico, numa entrega desprovida de limites e inibições em maciças doses de comprimidos.

Os mais afoitos, olhos dementes a preço de liquidação, estavam sempre em sobressalto, permanente estado de alerta nuclear, se drogando até a medula. Pareciam estar a ponto de explodir em ataques catatônicos de apoplexia ou todas as conhecidas variações napoleônicas. As festas não eram para corações delicados e nervos fracos. Havia o risco de inflamação nas meninges de tanta tensão.

Os mais enfurecidos, aparentemente perseguidos por estranhas maldições, tentavam estabelecer um insólito diálogo com a gente. Às vezes, com a eloquência de um gago, ora estrangulando sílabas, ora prolongando frases ininteligíveis. Outros, cheios de agudos, substituíam as palavras por distorções de voz aparentemente sem nexo. Lembro de um louro querubim, anjo barroco convertido em profeta do apocalipse, que parecia imitar o som selvagem de um pássaro nordestino, enquanto deslocava uma vértebra.

Lembro também de um sujeito, deitado num dos corredores, lívido como um vampiro, crucificado no chão, que maneava ritmicamente a cabeça. "Passando mal ?" perguntei. Olhos rodando e congestionados, a não-vítima respondeu: "Me deixa aqui. Isso é felicidade, cara".

Havia um outro repleto de tiques, cabeleira eriçada em desalinho, boca de porta-níquel e um andar que lembrava um macaco, provavelmente retirado de algum capítulo de “O bebê de Rosemary”, que fornecia pastilhas (ou seria ácido lisérgico), num autêntico serviço de utilidade pública que ninguém tinha coragem de dispensar. Naturalmente, não se tratava de iniciativa filantrópica. “Agora, em pessoa, temos o diabo, ou algo que se assemelhe”, comentei.

As cenas de canibalismo eram, de fio a pavio, o melhor capítulo. A carne, no sentido literal, estava em transe e era mordida com dentadas. Não havia o intervalo de tempo preenchido pelo flerte, a troca de olhares ou sorrisos. Só o necessário para rondar a presa como animais famintos e finalizar a caçada humana.

Ouvíamos gritos, grunidos e guinchos por todos os lados. Era um passeio de timbres aparentemente alucinados e possibilidades, como só nós dois, McCabe and Mrs. Miller, pecaminosos burgueses nesse cenário clautrofóbico, seríamos capazes de topar.

Houve quem considerasse anacrônico a um cara como eu, que sempre havia topado os desacertos de seu tempo, ir buscar diversão em raves.

Sei que minha imagem, sempre cuidadosamente preservada, foi exageradamente exposta e aparentemente gasta. Foi, sem dúvida, uma época barulhenta e pessoalmente desgastante. Mas não posso esquecer que estávamos em nossa loucura passageira, assando na mesma labareda. Curtíamos aqueles momentos, tão fugazes como inesquecíveis, sem saber exatamente o que fazíamos ou precisamente o que víamos, onde cada um de nós conseguia quebrar seus próprios limites e viver instantes de paixão.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Julie


Julie está completando uma semana no Leblon. Quem? A pergunta é natural e geral.

Recém-chegada, a nova moradora do Baixo Leblon não roça sequer de leve qualquer coisa próxima à seriedade. Mostra-se surpreendentemente feliz o tempo todo. Não preciso fazer nada para contentá-la. Ela é capaz de vibrar para um simples aceno de mão ou um sorriso.

Possui uma inata destreza de destruir fibra por fibra o tapete do meu banheiro. De uma semana pra cá, raro é o dia em que uma peça de roupa minha não aparece esgarçada. Depois me olha, retraída, com olhos ternos e inventivos. Mas consegue fazer do seu retraimento um charmoso apelo.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Carta para Luana


Depois de alguns meses de namoro, em setembro de 2006, resolvo me casar novamente. Para tanto, precisávamos de um apartamento maior. No final desse mesmo ano, vendo meu apartamento antigo e compro um outro, passando a ser vizinho da atriz Luana Piovani.

No ano seguinte, em 2007, estoura em todos os jornais, a notícia que atriz havia sido agredida pelo ator Dado Dolabella. Inicia-se um exaurido tour de force da atriz com denúncias, processos e total exposição. Um assédio implacável da imprensa na porta do meu prédio.

Nunca a mídia foi tão impiedosa com uma figura pública.

Paralelamente, em meu consultório, eu atendia duas pacientes, de classe alta, que estavam constantemente sofrendo violência física de seus namorados. Não só elas não denunciavam esse crime, como permaneciam ainda nessas relações. Luana foi citada por essas duas pacientes como um ideal de ego, a partir de uma coragem que elas gostariam de ter.

Escrevi uma carta, “doce e apenas educada, com um texto coeso” na terminologia da própria atriz. Pedi para meu porteiro entregá-la, já que não nos conhecíamos. Tive a preocupação de mostrar apenas minha solidariedade e parabenizá-la pela atitude corajosa. Luana pediu apenas para que o porteiro me agradecesse.

Nesses três anos seguintes, nos encontramos raríssimas vezes, e apenas nos saudamos num comprimento cordial. Ela nunca sequer mencionou minha carta.

Domingo passado, dia 17 de outubro, 11 horas da noite, cansado de um dia de praia e zapeando a televisão, me deparo com o programa “De frente com Gabi” (SBT). A entrevistada era Luana Piovani. Resolvi assistir ao que me vizinha tinha a dizer. Ao falar da violência física sofrida pelo ator Dado Dolabella, ela cita uma carta que recebeu de seu vizinho ‘psiquiatra’, “uma carta doce e apenas educada”, que ela guarda como "um ourinho". No meio de todo um achincalhamento público, o apoio de um estranho deu o acolhimento e a força que ela precisava. Fiquei emocionado. Muito.

Penso sempre o quanto muitas vezes não nos damos conta de quanto nossos gestos e atitudes podem fazer a diferença. Sei que tenho escrito muito sobre isso. Tenho ouvido isso de meus alunos e pacientes ultimamente. Sei do risco de estar sendo repetitivo. Mas aqui é meu lugar de expressão e de emoção.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Um ano sem Fábio


Hoje faz um ano que Fábio partiu. Um dia difícil. Chuvoso. Ainda tenho a imagem de seus olhos tristes desculpando-se por partir e me fazer sofrer

Fábio gostava de viver no seu mundo de alegrias e satisfações. Sempre em seu tom animado e cheio de si, adorava exibir sua inteligência espantosa.

Ontem estive na praia. Precisamente no local que Fábio mais gostava de brincar e fazer seu tour de force, entre mergulhos, caldos, cocos e corridas. Senti sua presença forte.

Fábio foi chamado para vôos mais elevados. Mas volta e meia, na praia principalmente, sinto que ele vem me visitar e encher de amor meu coração.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Pilha de queixas 12

Retomando a história de T. descrita nos posts Pilha de queixas 3 em 4 de novembro de 2009, Pilha de queixas 4 em 5 de novembro de 2009 e Pilha de queixas 5 em 4 de dezembro de 2009.

T., com sua alma de arara e sempre a um passo de soltar fogo pelas narinas, tem uma infelicidade que ela joga no mundo, por se acreditar injustiçada. Por ter um ‘ficante’ que a rejeita, ela consegue sair do plano abstrato, sair da divagação. Ela não se magoa com algo que nem lhe foi possível. Ela tem acesso a algo (a ele, o ‘ficante’) e depois o "perde" (já que ele não quer namorá-la). Daí vem a sua mágoa. Porém, ela recebe não dele o tempo todo, materializando a mágoa que ela tem com o mundo.

Seu ‘ficante’ ativa um processo descendente em sua auto estima, que já é baixíssima, e assim, a joga mais pra baixo ainda. Ela insiste com ele. Muito. O máximo que consegue dele são opiniões sarcásticas, o que a faz ficar mais frustrada ainda. Ela procura uma aprovação que eu considero suicida. Talvez por ter sido muito mimada e ao mesmo tempo ter que se tornar subserviente, para não perder a esperança, T. acaba se tornando uma pessoas 50% insuportável e 50% submissa. No descontrole em que vive, faz tempestade de tudo que acontece, o que acarreta uma vida absolutamente solitária, não necessariamente no sentido físico. Ela faz de si mesma algo que não se leva a serio, passando desapercebida ou descartável pela vida das pessoas.

Vou tentar ser mais claro. Eu quero dizer no sentido de afeto. Claro que ela é uma pessoa que causa alguma coisa, nem que seja incômodo. Mas não desperta uma emoção, não desperta amor.

Cito aqui um exemplo, na terapia, pra ver como ela se enxerga minimamente.
Perguntei: "O que você gostaria de mudar em você?". A resposta nem me surpreendeu. Mas foi um tiro bem no alvo dessas questões todas.

Ela disse: "deixaria de cuidar das pessoas que não prestam", referindo-se ao ‘ficante’ que a rejeita constantemente. Impressionou-me aqui ela se ver como alguém tão maravilhosamente generosa, ou seja, o que ela acha generosidade nada mais é que adular alguém que ela quer. Muito. Até aí tudo bem. Nada demais a pessoa se ver como uma luz de amor, mas dá então pra praticar isso na íntegra? Porque se a idéia é amar, então ame em vez de ficar jogando com as pessoas. O curioso é que você vê um discurso dela todo contra quem joga, como se no mundo ninguém soubesse amar de verdade. Ou seja, ela não vê onde joga. Claro. Na verdade, ela quase nunca se vê. Perguntei então: "O que te impede de fazer isso?" (isto é, de ser generosa com quem não presta). Ele diz: "Tenho que ser mais malandra".

Eu intervenho: "Então ser legal é ser otária?". É o mecanismo básico de projeção. Ela está vendo nos outros tudo que ela mesmo vê nela.

Ela não só acerta o julgamento, como não consegue deixar de ser legal, já q ela se diz maravilhosa e generosa. Note o giro que ela dá.

Ela escolhe a dedo quem não a quer e fica ali o tempo que for pra um dia falar isso tudo. Daí vem sua mágoa: achar sempre que é usada pelas pessoas.

‘Mudar pra que?’ ela diz. Acaba virando um ´vão ter que me engolir´, já que esse é o jeito que ela encontra para lidar com as coisas, sempre com exagero, opulência.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Carol


Mesmo sem coroa ou faixa, manto ou cetro, Carol é inegavelmente uma espécie de primeira dama da nossa sagrada quadrilha. Ela é capaz de conduzir seu reinado, numeroso e entusiasmado, a grandes conquistas.

Com uma personalidade interessante e uma sensibilidade aguçada, ela tem atitudes decididas. É capaz de botar a boca no mundo, para quem quiser ouvir. Mas também, na insuspeitada força de sua própria fragilidade, sabe recolher suas feras na hora certa. Uma rainha, pelo menos até o momento em que a derrubam, prefere não correr nenhum risco.

Não me custa esforço maior dizer que nossa primeira dama sempre tem muito a nos oferecer em matéria de conforto e abraços.

Hoje é o seu aniversário. Dia de improvisações inteligentes, arrumações impecáveis e muita irreverência.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Glicose


Meus alunos descobriram a data do meu aniversário. Prepararam uma festa surpresa, quase temática, regada a todo tipo de açúcar. Glicose do começo ao fim, com direito aos mais variados doces açucarados. Por sinal, os meus preferidos.

A gente nem se dá conta dessa nossa capacidade de influenciar a vida das pessoas. Às vezes, nem se entende como nem porquê. Mas percebe-se que algo ali faz a diferença.

Em retribuição, ganhei um dia de glicose.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Templo de Karnak


Sendo o maior dos templos do Antigo Egito, foi dedicado à tríade tebana divina de Amon, Mut e Khonshu, atingindo seu apogeu na XVIII dinastia, depois da eleição de Tebas como capital. Foi sucessivamente aumentado pelos diversos faraós, tendo levado mais de mil anos em construção. Constitui uma mescla de vários templos fundidos num só. O seu grande destaque é a Grande Sala Hipostila, cujo teto era suportado por 134 enormes colunas, ainda atualmente existentes, e consideradas como sendo as maiores do mundo.


O nome Karnak foi adotado de uma aldeia vizinha, El-Karnak, sendo conhecido na época dos faraós por Ipet-sut(o mais seleto dos lugares). Designa o templo principal do deus Amon-Rá, como também tudo o que permanece do enorme aglomerado de santuários e outros edifícios, fruto de mais de mil anos de construções e acréscimos. Através das avenidas das procissões podia-se ir do Templo de Karnak ao Templo de Mut (esposa de Amon) e ao Templo de Luxor.

O templo permaneceu enterrado durante mais de 1000 anos antes dos trabalhos de escavação começarem em meados do século XVIII d. C. Até hoje, a grandiosa tarefa de restauração continua.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Nenhum pulso


Cheguei em casa pela manhã.

Estava em tal ausência de coordenação que tive que por as mãos na mesa para me equilibrar. Se eu pudesse apenas me acalmar um pouco...

Fechei os olhos. As mãos verticalmente sobre os olhos, pressão com as palmas até eles ficarem vermelhos. Uma contração na região lombar. Tirei o tênis e desabei no sofá, ferrado no sono. Consigo convencer a mim mesmo a permanecer deitado.

Pus os pés pra cima, esticando-me todo.

Minha circulação estava quase nula. Nenhum pulso.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Oportunidade


O problema é em parte combinar vontade com oportunidade. Se ele estivesse aqui nesse momento... Mas não ! Encontrar-se com ele, ao acaso, não é a mesma coisa.

O momento é errado ! O clima, às vezes, também não ajuda.

Não estava preparado para o impacto da presença física dele. Mesmo assim, fui ao seu encontro. Um gesto bem intencionado. "Talvez essa oportunidade nunca mais apareça", pensei. Não era um pensamento tranquilizante.

Podia prever uns poucos embaraços. Fiquei torcendo para que ele ouvisse o palpite do seu coração. Cuidei para que minha voz soasse o mais casual possível. Mas teve um momento que ela chegou a me faltar. Acho que ele nem percebeu.

Conversamos um pouco. Coração à flor da pele transforma-se em gélida lápide de mármore. Ninguém estava com a guarda baixa. Nenhum chute a gol.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A sério


Depois da consagração máxima, é a vida a sério.

domingo, 5 de setembro de 2010

Amor e psicodelia


Essa foi a festa em que meus amigos ganharam a noção de estar mesmo em outra galáxia. Na melhor cidade da América do Sul, fermentava amor e psicodelia, "perder o autodomínio, enlouquecer, loucura, desvario". No primeiro round, todo mundo já estava elétrico. Menos o Valter, que estava em clima bossa-novista. Ninguém sentou. Todo mundo em pé, conversando e conversando. Nem sei o que tanto a gente conversou. Fabrizio, falante e fluente, em seu pódio reservado, fazia intervenções com frases soltas. Só parávamos para ver Maria Olívia exibindo, em excepcional vigor, um corpo todo delineado.

No segundo round, o mais extenso, estardalhaço e algazarra. Meus amigos, renunciando a qualquer originalidade, decidiram beber, dançar e se divertir. Tai, com admirável habilidade e renovação de voltagem, atingiu o preciosismo, mantendo o ritmo irresistível. Volume alto – do Oiapoque ao Chuí - e muita garra. Seu som estoura-tímpanos provocava uma onda de ufanismo, capaz de tirar São Francisco de Assis do sério. Luciana permitiu-se alguns excessos. Quando começa a beber, não há quem a faça parar. O problema foi controlar o entusiasmo da moça.

Rose, cheia de trejeitos e lânguides, risada gostosa, mostrou-se ao mesmo tempo sensual e incansável. Carol e Rogério deflagravam uma atmosfera de felicidade, desafiando os limites do permitido. Luísa, num visual elegante e requintado, deixava transparecer uma grande dose de alegria. Cris, em atitude quase roqueira, se alimentava de euforia. Joana declarava guerra contra a caretice. Babi, uma jóia singela, exibiu todo o brilho de sua personalidade. Déborah instaurou o gênero romper fronteiras, ascendendo a níveis estratosféricos. Bela ficou a deslizar seu tapete mágico sobre todos nós, se entronizando em musa dos inocentes do Leblon.

Quanto a mim, lembro de ter feito bastante alarde. Estava envaidecido e feliz da vida. Afinal, havia um cortejo de amigos revezando-se a minha volta.

A festa foi um estouro. Parecia não terminar mais. Uma semana de ressaca feliz. Salve o prazer.

sábado, 4 de setembro de 2010

Preciosismo


Tai, com investidas mais ousadas, atingiu o preciosismo dessa vez. Ela participa dessa qualidade misteriosa que habita os raros grandes DJs: a capacidade de inovar. Não há defasagem de tempo entre a festa do ano passado e essa.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Aniversário



















Hoje é meu aniversário. Respiro os novos tempos, os outros ventos, os novos novos. Recebo o carinho dos meus grandes amigos. Mantenho minha fidelidade a parcerias antigas. Renovo meu amor no coração da minha sagrada quadrilha. Algo novo virá por ali e de todos em minha volta.

Meu entusiasmo ainda em curva ascendente. Continuo em harmonia universal. O panorama volta ao normal. Algo mudou? Só no calendário.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Estardalhaço


Estardalhaço e algazarra. Tons altíssimos. Palavras propositalmente gritadas. Constantes zigue-zagues. Estou rodeado de pessoas eletrizadas, literalmente em ponto de bala. Uma festa cheia de entusiasmo, onde podíamos ser nós mesmos, ser um pouco menos ou deixarmos de ser. Podíamos ser delirantes, displicentes, desvairados ou simplesmente contentes. Recebemos ‘entidades’ plurais, assumindo personalidades múltiplas.

Não se sabia mais quem era do lado de lá, quem estava acima, quem vinha para o lado de cá, quem descia, quem se remexia. O debaixo desce e o de cima, sobe?

E a gente saia dançando, em disparada. Na maior embolada.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Psicodélicos


Na proximidade do evento, a avalanche de euforia ganha velocidade, acelera ainda mais na véspera e invade, desabalada, para desembocar frenética na noite. Já estou quase em ebulição, no ápice da efervescência. Pronto para dar abraços psicodélicos nos meus convidados e viajar por outras galáxias. Minha temperatura esquenta pra valer. Ponto de exclamação.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Placas tectônicas


Aquecimento da temperatura global. As placas tectônicas do planeta entram em transe e provocam um terremoto pontuado em 9,3 pontos na escala Richter. Estamos todos em excepcional vigor, num tour-de-force com aceleração contínua.

Todo o ano eu pareço pulsar mais forte e chegar no meu momento máximo. Lá do alto, Fábio aprova tudo.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Sagrada quadrilha


Não deixa de ser um privilégio poder contar com a energia criativa do meu grupo de amigos. Conquistas definitivas e que viriam para durar. Minhas meninas colocam minha reputação nas estrelas, me elevando à potência de celebridade. Segundo elas, ir nas minhas festas “é cumprir um ato de fé”, daí o empenho na arregimentação de fiéis. Reunião da sagrada quadrilha.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Potência máxima


Para celebrar momento tão intenso, Tai é convocada, pela terceira vez consecutiva, para ser a DJ. Impulsionada com toda a ousadia a que tem permissão, ela quer, pode e faz. Tai é renovação de voltagem. Energia ligada na potência máxima, amplificando um ritmo incessante de festa no ar. Tudo pode virar um grande espetáculo. O que ficou para trás, ficou.

sábado, 21 de agosto de 2010

Os alquimistas


Sob o filtro do estrondoso sucesso das três últimas festas de aniversário, mantenho a vibração. Mas ninguém pense que há clima de nostalgia ou mesmo saudade. Nada disso. A inquietação é sempre nova, eliminando qualquer eventual impressão de que as festas se repetem. A energia que descarrego vem do fundo da alma. Com pique, até demais. Os alquimistas já estão no corredor.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Mágico consenso


A partir do final de agosto, como que por um mágico consenso, eu e meus amigos embarcamos num progressivo processo de efervescência e correria desvairada. Todo mundo sai da toca, em ritmo de maratona. Segundo Luciana, “um ritual coletivo que se repete anualmente”.

Durante as semanas que antecedem meu aniversário, eu extrapolo moleque os rigores do calendário, desmarcando vários compromissos. Não existe pecado nenhum em exercer meu sagrado direito de comemorar meus aniversários em grande estilo.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Adolescência 13 - Trate de crescer !


Ah cara, não se podia esperar outra coisa mesmo de você. Desistir logo após a primeira tentativa...

Enfrente a realidade, garoto !

As coisas não vão ser assim tão fáceis...

De modo que... TRATE DE CRESCER
!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Recado

Seu blog é legal. Seu blog é muito legal mesmo. Tá cada vez melhor. Cada vez que vejo a facilidade que você se expressa, eu gosto mais ainda do seu blog. Cada vez que eu leio uma prova de afeição pelos seus amigos - tá faltando o meu hehehe - eu gosto mais do seu blog. Muita coragem, você deve ter brigado pra fazê-lo. Com você mesmo, com alguém, com alguma coisa, sei lá. Se não brigou, ainda vai brigar por tê-lo feito. E não é fácil chegar a um ano assim, sempre postando. No momento, só teria uma coisa a aconselhar a quem quer uma boa leitura: a leitura do seu blog”.

Respeitando o anonimato de um amigo, Muito Obrigado !

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Um ano depois


Dia 26 de julho de 2009. Há exatamente um ano atrás, nascia “Mesmo que nunca se aprenda”, o blog. Foi num dia de Leblon Jazz Festival. Cris passou aqui em casa para abrir o blog, enquanto preparamos caipivodkas com as bebidas da minha última festa. Fomos encontrar Bela, Luisa e alguns outros amigos.

Há um ano que escrevo sobre minha viagem ao Egito, onde se iniciou um emblemático processo de mudança, com uma guinada de 180 graus. Há um ano que reedito textos meus escritos no fim da minha adolescência, uma época em que eu buscava algo que eu nem sabia.

Há um ano também que estou focalizando a personalidade dos meus melhores amigos, fazendo declarações ensolaradas de amor a todos aqueles que compartilham minha intimidade. Consegui que o blog tivesse meu olhar, e principalmente, a presença congestionada deles, seja nos posts ou nos comentários, com todos os apelos mágicos que a magia traz. Desde Luciana, presente na minha vida há trinta anos. Como todos os que vieram depois, todos portadores do meu amor. Inclusive, minhas adoráveis meninas - a melhor colheita dos últimos anos - núcleo central da nossa sagrada quadrilha.

Adoro todos os posts que escrevi para os meus amigos. Isso eu digo assim modestamente porque, acredito, que os posts se parecem mais com eles que comigo.

A escolha dos assuntos – os que mais me fascinam - acabou por recair naqueles que são ligados diretamente às conexões humanas, os encontros e desencontros, uniões impetuosas e equivocadas, o antes, o início, o meio, o fim e o depois.

Construo histórias que caminham paralelas, reunindo seus fios da meada. A segurança que atinjo hoje me dá a chance e o pulso para espraiar a narrativa por outros personagens, seja no meu consultório, seja na minha vida pessoal, lançando mais luz sobre outras vidas. A idéia de lidar com figuras secundárias é mais vasta e abrangente. Embora saiba que estou sempre escrevendo a mesma história. A minha história.

Na verdade, “Mesmo que nunca se aprenda” continua sendo um auto-retrato, reflexo exato do que penso e sinto, revelando o lado mais íntimo e desconhecido da minha personalidade. Traço um mosaico onde procuro oferecer sempre uma fotografia de mim mesmo. Apontando o caminho mais intimista que tenho buscado nos últimos anos. Parafraseando Marisa Monte, um infinito particular no universo ao meu redor. Ou como ensinava Guimarães Rosa, o mais particular não é senão o mais universal: “O sertão é do tamanho do mundo”.

Foi uma aposta ousada. Confesso que não esperava a atenção e o interesse que despertou. Fico surpreso e grato. Não conto com uma aprovação irrestrita, mas continuo feliz com a empreitada. Boca aberta em riso. Continuo confiando na sorte, nos dias que correm.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Amigo


Ontem foi Dia do Amigo. Dia feliz, de muitos torpedos e declarações. Déborah foi a primeira e os endereçou às suas "pessoas favoritas". Em seguida, Luísa exaltou "happy three friends". E por aí foi e não parou mais...

Sempre tive facilidade para fazer amigos. Quando criança, qualquer garoto que tivesse uma bola de futebol ou quisesse brincar de alguma coisa, virava meu melhor amigo. Meus critérios eram simples. A vida era mais simples.

Na época do colégio, bastava estar na minha turma anual para ser meu amigo. Se gostasse de uma bagunça então, melhor ainda. Nos finais de semana, minha casa transformava-se num verdadeiro ponto de encontro. Afinal, tenho pais que sempre gostaram de movimento.

Com o tempo, fui ficando mais seletivo. Mesmo assim, tive a sorte, a arte ou o dom de fazer bons amigos. Dei uma derrapada a poucos anos atrás, mas todo ser humano tem o direito de errar de vez em quando. Exerci esse direito.

Esse post é dedicado então a todos os meus amigos. Aos que estão mais perto e aos que estão mais longe. Aos que já foram mais íntimos e aos que estão com a vida diferente em outros países... e nem por isso menos amigos.