sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Coldplay


Conheci o Coldplay em 2003 através de um amigo meu. Nunca antes havia ouvido falar sobre essa banda britânica de rock alternativo. Na semana seguinte, comprei “A rush of blood to the head”, que ainda considero o melhor disco deles. Até hoje, ouço “In my place”, “The scientist”, “Clocks” e “God put a smile upon your face” na mesma intensidade que antes. Talvez até mais, por causa do ipod

Devo confessar que tenho uma vibração especial por “In my place”.

(How long must you wait for it?/ How long must you pay for it?/ I was scared, I was scared/ Tired and underprepared/ But I waited for it/ If you go, if you go/ Then Leave me down here on my own/Then I'll wait for you)

Mas adoro mesmo “The scientist”.

(Nobody said it was easy/ It’s such a shame for us to part/ Nobody said it was easy/ No one ever said it would be this hard/ Take me back to the start)

Essas músicas ensinaram a deitar-me sobre minhas próprias feridas. Algumas cicatrizadas de qualquer maneira. E ficar ali. Apenas ficar ali sentindo minha dor dentro da letra e perceber ela se movendo dentro de mim.


Acabei tornando-me grande fã de Coldplay, passando a apresentar esse mesmo CD a amigos e alunos. Dois anos depois, em junho de 2005, comprei “X/Y”, e no mês seguinte acabei dando o CD de presente de aniversário para esse mesmo amigo, como um agradecimento por ter me apresentado o grupo. Desse disco, gosto particularmente de “Speed of sound” (How long before I get in, before it starts, before I begin), “Talk” (I'm so scared about the future and I wanna talk to you) e "What if" (What if there was no lie/ nothing wrong nothing right... How can you know it when you don't even try).


Em setembro de 2008, ganhei de aniversário “Viva la vida”. “Violet Hill” (Said if you love me won't you let me know?), “Lost” (And you'll be lost!/ Every river that you tried to cross/ Every gun you ever held went off/ I'm just waiting until the firing's stopped and I'm just waiting 'til the shine wears off) e a própria “Viva la vida” (It was the wicked and wild wind/ Blew down the doors to let me in) tem significados muito especiais na minha vida.

Domingo é o dia do show. Primeira vez que irei a um show deles. Da outra vez, em 2007, estava viajando e não consegui voltar a tempo. Tenho muitas memórias com essas músicas e imagino que elas venham todas à tona. Não devo estar preparado. Nunca estou mesmo.

Ando acordado nessas noites que antecedem o show. Nostálgico. Vendo fotos antigas. Lembrando momentos importantes. Torcendo para que minhas lembranças não estejam só dentro de mim.

Já dá até uma saudade antecipada. Vontade de chorar. E sorrir. Verdadeiramente sorrir. Solto, aberto, olhando nos olhos do outro. Mas tudo isso vou deixar para domingo.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

In my place

Uma noite de insônia profunda. E de repente, lá estava você, mais presente do que nunca. A melodia saía do ipod diretamente para o meu coração.

How long must you wait for it?/ How long must you pay for it?/ I was scared, I was scared/ Tired and underprepared/ But I waited for it/ If you go, if you go/ Then leave me down here on my own/Then I'll wait for you. (In my place, Coldplay)

Não pude conter um sorriso. Puxa vida, como tenho saudade de você. Jung tinha razão com o conceito de sincronicidade. Estava devorado pelos pensamentos que impedem meu sono e aí... você veio pra perto.

Do que eu mais tenho saudade é rir com você...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Pilha de queixas 7

C. tenta desesperadamente ser atriz há seis anos. Tem um namoro falido há mais de dois. Decidiu arrumar um amante recentemente, mantendo uma vida dupla. O problema é que o namorado descobriu. Embora a historinha de ‘namorado&amante’ tenha dado uma turbinada em sua já cambaleante auto-estima. Fala que está “muuuuuito mal de fazer duas pessoas tão maravilhosas e que me querem sofrerem taaaanto”. Não é difícil matar a charada. C. foi massacrada a vida toda. Quando acha que pode, opta por massacrar os outros.

Penso: “aproveita então porque uma hora os dois vão cansar dessa lenga lenga”. Pergunto o que ela acha que o namorado e amante pensam dela nisso tudo. Ela diz: “devem pensar que sou uma traidora”. Tive que intervir: ”não sei, talvez eles pensem o quanto você é fraca”. Essa ela não gostou muito.

C. crê que está na posição de poder. Não está entendendo que isso pode estar virando tão-somente uma questão de orgulho do namorado que não quer sair por baixo. Enquanto o amante está adorando ver o circo pegar fogo. Por ultimo, acha ainda que só ela mente, que os outros são assim de uma sinceridade e amor únicos com ela.

Explico que esse triângulo é uma metáfora de um jogo sujo de pôquer, onde cada um blefa, esconde cartas, vai ao limite de seu cacife e tenta manipular a partida.

Ela está indo embora da casa do namorado (acho que foi expulsa, ela não diz) e afirma que está muito mal porque ele não quer ser amigo dela. Diz que o continua querendo em sua vida, mas como amigo. Penso: “menina, a gente mal entende como ele te quis, agora que ele toma uma atitude racional, você não entende?”. Mas preferi dizer: "não fica achando que a repulsa dele a você é porque você o traiu ou não o ama, mas porque ele está se sentindo o idiota fracassado de ter investido tanto tempo em você”.

Ela diz que descobriu que o amor dele era condicional. Digo que ele não era o pai para aturar tudo o que ela fizesse.

Ela, posando de pássaro ferido, contrapõe: “não éramos apenas namorados, éramos amigos, cuidávamos um do outro, e agora ele me trata assim". Alguma coisa estava terrivelmente errada. Penso: “você fode com a vida do cara e ainda quer que ele aplauda?”, mas intervenho: “acho que você não entendeu que, ainda que não tenha ‘razão’, ele viu o investimento dele ir por água abaixo”.

Contextualizando: C. foi viver sob a tutela do namorado, que chegou ao cúmulo de apoiar a sua agonizante ‘carreira’ de atriz, sustentando-a financeiramente. O mínimo que pode se sentir agora é um otário. Digo: “Acho muito simples agora tentar reverter o jogo e se botar como ‘tadinha’ que foi expulsa”. Essa ela não gostou mesmo... Talvez esteja pegando pesado.

Acredito que esse namorado - independente lá de suas próprias neuroses - conheceu o que é se relacionar com uma passiva-agressiva, aquela que não toma atitude nem decisão nenhuma na vida, mas fica esperando o outro tomar pra voar em cima, seja adorando ou odiando. Um dia, resolveu não gostar mais e agora C. está tentando pintá-lo como monstro.

C. passa a perceber q não tem cacife pra sair forte dessa historia e agora está espalhando pras pessoas que está muito mal de ter feito alguém sofrer. E além de tudo, está se achando. Penso: “Não posso permitir isso, mas como intervir ?” Ela me ajuda dando a deixa que tanto precisava. Diz que os amigos dela a acharam louca por ela ter traído, Digo: “Talvez os seus amigos não enxerguem o seu valor, mas enxergam com certeza o valor do seu namorado, logo é ele quem agrega valor a você”. Acho que agora acabei com ela. Perceber que os amigos lêem melhor o valor do cara do que dela própria deve ter sido um choque. Acho que a fiz entender que ela trocou um "pai" por um que não quer, nem vai fazer nada por ela.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Dor universal


Voltei de férias. Hoje foi meu primeiro dia de trabalho. É engraçado. Toda vez que recebo um novo paciente no meu consultório sempre acabo escutando algo do tipo:

“Você não vai acreditar na minha história. Acho que isso nunca aconteceu antes com ninguém”.

Ou então:

“Essa história toda é inédita, acho que você nunca ouviu nada parecido”.

Dessa vez, não foi diferente. Às vezes me questiono sobre a universalidade de nossa dor: quanto mais particular o problema, mais ele se aproxima das aflições dos outros.

Lá estava ela, minha nova paciente, afogada em emoções perturbadoras. O fato é que quando a coisa aperta, ninguém quer mudar. Tudo o que a gente quer é parar de sofrer, ter algo de novo, se livrar de algo. Mudar os conceitos, os padrões ? Difícil ! Isso dá trabalho. Melhor perder tempo tentando encontrar uma nova solução pra cada novo problema.

Só que assim, apenas trocamos um problema por outro. Mesmo que num primeiro instante ainda não pareça problema.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Into the wild


Fui acusado de romantizar demais San Blás. A acusação procede. Não adianta, sou passional. Quando me apaixono, acabo cegando. Tentarei ser menos emotivo e falar dos percalços. Passamos alguns perrengues na viagem sim, todos altamente superáveis. Situações que oscilam entre o implausível e o inesperado. Da cidade do Panamá até San Blás são duas horas. Duas longas horas numa estrada de terra com paredões de barro de quase 90 graus por onde passamos somente com um potente 4x4. Mas o bizarro era o motorista ouvindo e cantando “Corazón partío” (quién me va a curar el corazón partío ?) ou “Desde cuando”, do Alejandro Sanz. Alto. Eram seis horas da manhã e estávamos bêbados de sono. Não pude fazer uso do meu ipod, pois, ingenuamente, o deixei na mochila. Depois, passei ainda a conhecer o repertório completo da cantora Shakira, a qual nunca tive o menor interesse.

Consumada a incrível façanha, chegamos ao lugar que não consta em mapa algum: San Blás. Ficamos hospedados em uma cabana de uma família Kuna, pé na areia, paredes de bambú, telhado de palha e duas redes. Sem eletricidade.

Na primeira ilha, Isla Del Diablo, contamos com a luz de um lampião. Vale ressaltar que moravam duas famílias Kuna nessa ilha e o mais genial foi termos descoberto, duas noites depois, que essas famílias não se falam entre elas. Motivo ? Não tenho a mais vaga idéia, mas num território indígena, não achei boa idéia questionar nada. Só fiquei imaginando a possibilidade de morar numa ilha deserta e não trocar palavra alguma com alguém a menos de 20 metros de distância. Se bem que os Kuna, em geral, me pareceram bem calados. Não sei se quando saíamos pra nadar, fofocavam sobre a gente. Nunca saberei também. Sexta passada, quando contei esse fato a Cris, ela sugeriu que eu deveria ter feito uma dinâmica de grupo ou uma mediação.

Na segunda, Isla Pelicano, tivemos uma tocha. O banho era de canequinha, através de um poço de água doce. Isso mesmo. Estávamos na natureza selvagem, numa nova temporada de Lost.

Almoço e jantar, sempre o mesmo: Peixe pescado pela manhã, arroz, salada e algum legume preparado pelos Kuna. É claro que levamos um sortimento de barras de cereais, biscoitos, iogurtes, sucrilhos, delícias pra suplementar nossa dieta. Afinal, ninguém é de ferro.



Porém, acredito que estivemos num dos lugares mais lindos do mundo. Contamos com a presença da lua cheia, quase todas as noites, com toda sua luz refletindo no mar e os coqueiros desenhando sombras. E tudo isso, com nossos dois melhores companheiros, já exaustos e quase descarregados: dois ipods que revezavam-se numa trilha sonora, que ia de Moby (numa analogia ao filme “A praia”) a Coldplay.

Um perrengue cinematográfico into the wild.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

San Blás


Resisti a escrever sobre San Blás. Antes de viajar, havia lido num blog de algum mochileiro que “San Blás é aquele tipo de destino que quando você descobre não quer contar pra ninguém. Medo de que acabem com tudo”.

Hoje entendo o que ele quis dizer. Não imaginava que fosse me sentir tão à vontade num lugar só. Como se minha alma indígena despertasse mesmo dentro de mim.



Quase não acreditei no que acontecia diante dos meus olhos. San Blás é areia branca, coqueiros, água cristalina, indo do verde esmeralda ao azul turquesa. Em diversos tons e "cores que eu não sei o nome". Sei que parece exagero. Juro que não é. Tudo preservado sob a tutela da nação indígena mais organizada politicamente do continente americano: os Kuna - guardiões desse paraíso. E assim, eu e Bela construímos nosso life style: uma cabana, dormindo em rede e nadando, no maior fôlego e cheios de gás, por todas as ilhas que conseguíamos chegar.



Por uma semana, nos sentimos parte dos Kuna Yala. Em nossos apelidos carinhosos, Curumim e Cunhatã.

The islands of the San Blas Archipelago are strung out along the Caribbean coast of Panama somewhere in Caribbean sea.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

São Thomé das Letras 2


Falar de Babi é retornar a São Thomé das Letras. Um lugar de sonho, cercado de cachoeiras, que excita a imaginação. Uma viagem com muitas conversas que iam passando do humorístico para o mais pessoal, num clima de colônia de férias.

A temperatura da água era de tirar o fôlego. Mergulhamos todos juntos e saímos desconcertados, com um sorriso que nunca vimos no espelho ou em fotos. Repetimos mais uma vez. Elas do meu lado, destemidas, covinha nas faces, sentindo a água fria. Por alguns instantes, tenho certeza que sou o cara mais feliz do mundo.



À tardinha, no meio de toda a paisagem recortada, o por do sol. Éramos capazes de ficar horas deitados, olhando toda aquela vastidão. Volto a repetir: Nada é mais lindo do que o azul sem manchas do céu de São Thomé das Letras.

Sem a poluição das luzes da cidade, todo aquele escarlate transformava-se num fim da tarde lilás. Uma ocasião em que o mundo estava em plena disposição.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Babi


Babi também mergulhou ao meu lado nas águas claras e frias das cachoeiras de São Thomé das Letras. Me acompanhou numa viagem literalmente fantástica, passando pela montanha mágica e assistindo ao por do sol.

Ela é o tipo da garota com quem eu certamente conversaria pra sempre. Possui algo de notavelmente intelectual no seu rosto, como se, um ou dois anos antes, ela tivesse se formado em Harvard. Assim, acaba sempre monopolizando as atenções por seu carisma e inteligência

Babi é a sugestão delicada. A probabilidade sutil. A genialidade da modéstia. Além disso, não posso deixar de mencionar que tem o sorriso mais manhoso que conheço. Sorriso tão maroto que ainda está pra nascer outro assim.

Hoje é o seu aniversário. Dia de vibração de ternura. Porque mistério sempre há de pintar por aí.