segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Pilha de queixas 7

C. tenta desesperadamente ser atriz há seis anos. Tem um namoro falido há mais de dois. Decidiu arrumar um amante recentemente, mantendo uma vida dupla. O problema é que o namorado descobriu. Embora a historinha de ‘namorado&amante’ tenha dado uma turbinada em sua já cambaleante auto-estima. Fala que está “muuuuuito mal de fazer duas pessoas tão maravilhosas e que me querem sofrerem taaaanto”. Não é difícil matar a charada. C. foi massacrada a vida toda. Quando acha que pode, opta por massacrar os outros.

Penso: “aproveita então porque uma hora os dois vão cansar dessa lenga lenga”. Pergunto o que ela acha que o namorado e amante pensam dela nisso tudo. Ela diz: “devem pensar que sou uma traidora”. Tive que intervir: ”não sei, talvez eles pensem o quanto você é fraca”. Essa ela não gostou muito.

C. crê que está na posição de poder. Não está entendendo que isso pode estar virando tão-somente uma questão de orgulho do namorado que não quer sair por baixo. Enquanto o amante está adorando ver o circo pegar fogo. Por ultimo, acha ainda que só ela mente, que os outros são assim de uma sinceridade e amor únicos com ela.

Explico que esse triângulo é uma metáfora de um jogo sujo de pôquer, onde cada um blefa, esconde cartas, vai ao limite de seu cacife e tenta manipular a partida.

Ela está indo embora da casa do namorado (acho que foi expulsa, ela não diz) e afirma que está muito mal porque ele não quer ser amigo dela. Diz que o continua querendo em sua vida, mas como amigo. Penso: “menina, a gente mal entende como ele te quis, agora que ele toma uma atitude racional, você não entende?”. Mas preferi dizer: "não fica achando que a repulsa dele a você é porque você o traiu ou não o ama, mas porque ele está se sentindo o idiota fracassado de ter investido tanto tempo em você”.

Ela diz que descobriu que o amor dele era condicional. Digo que ele não era o pai para aturar tudo o que ela fizesse.

Ela, posando de pássaro ferido, contrapõe: “não éramos apenas namorados, éramos amigos, cuidávamos um do outro, e agora ele me trata assim". Alguma coisa estava terrivelmente errada. Penso: “você fode com a vida do cara e ainda quer que ele aplauda?”, mas intervenho: “acho que você não entendeu que, ainda que não tenha ‘razão’, ele viu o investimento dele ir por água abaixo”.

Contextualizando: C. foi viver sob a tutela do namorado, que chegou ao cúmulo de apoiar a sua agonizante ‘carreira’ de atriz, sustentando-a financeiramente. O mínimo que pode se sentir agora é um otário. Digo: “Acho muito simples agora tentar reverter o jogo e se botar como ‘tadinha’ que foi expulsa”. Essa ela não gostou mesmo... Talvez esteja pegando pesado.

Acredito que esse namorado - independente lá de suas próprias neuroses - conheceu o que é se relacionar com uma passiva-agressiva, aquela que não toma atitude nem decisão nenhuma na vida, mas fica esperando o outro tomar pra voar em cima, seja adorando ou odiando. Um dia, resolveu não gostar mais e agora C. está tentando pintá-lo como monstro.

C. passa a perceber q não tem cacife pra sair forte dessa historia e agora está espalhando pras pessoas que está muito mal de ter feito alguém sofrer. E além de tudo, está se achando. Penso: “Não posso permitir isso, mas como intervir ?” Ela me ajuda dando a deixa que tanto precisava. Diz que os amigos dela a acharam louca por ela ter traído, Digo: “Talvez os seus amigos não enxerguem o seu valor, mas enxergam com certeza o valor do seu namorado, logo é ele quem agrega valor a você”. Acho que agora acabei com ela. Perceber que os amigos lêem melhor o valor do cara do que dela própria deve ter sido um choque. Acho que a fiz entender que ela trocou um "pai" por um que não quer, nem vai fazer nada por ela.

3 comentários:

  1. Q complicado!
    Precisamos esclarecer algumas questões...

    beijos

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  2. A cereja do bolo parece ser essa validação que a pessoa espera/precisa advinda do parceiro, "fui escolhido, logo existo".

    Não há amor próprio algum nisso. Me ame pra eu me amar.

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  3. transtorno de personalidade passivo-agressivo...não tem jeito!!ehehee.. tó brincandoo!! adorei o post. Complicado mesmo!!!!
    beijokassssssssssss

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