quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Dor universal


Voltei de férias. Hoje foi meu primeiro dia de trabalho. É engraçado. Toda vez que recebo um novo paciente no meu consultório sempre acabo escutando algo do tipo:

“Você não vai acreditar na minha história. Acho que isso nunca aconteceu antes com ninguém”.

Ou então:

“Essa história toda é inédita, acho que você nunca ouviu nada parecido”.

Dessa vez, não foi diferente. Às vezes me questiono sobre a universalidade de nossa dor: quanto mais particular o problema, mais ele se aproxima das aflições dos outros.

Lá estava ela, minha nova paciente, afogada em emoções perturbadoras. O fato é que quando a coisa aperta, ninguém quer mudar. Tudo o que a gente quer é parar de sofrer, ter algo de novo, se livrar de algo. Mudar os conceitos, os padrões ? Difícil ! Isso dá trabalho. Melhor perder tempo tentando encontrar uma nova solução pra cada novo problema.

Só que assim, apenas trocamos um problema por outro. Mesmo que num primeiro instante ainda não pareça problema.

4 comentários:

  1. É mais "fácil" mudar o mundo do que a si mesmo, né? E tem aquela coisa de "vão ter que me engolir".

    Mas o curioso nesse embate é que a única luta acaba sendo interior, eu contra eu mesmo, contra minha própria eficiência em me fazer infeliz.
    Quando se percebe que não existe inimigo, pode-se pegar a rédea nas mãos e conduzir-se de formas novas.
    Difícil, mas não impossível. Quem ousa?

    Tem uma frase da Jodie Foster que adoro e é pertinente:

    "I think 'destiny' is just a fancy word for a psychological pattern."

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  2. Muito bom "contra minha própria eficiência em me fazer infeliz"... é difícil mesmo conduzir-se de formas novas, mas eu penso que se as pessoas chegam até a mim, deveria ser pra ter um novo olhar e não fazer a pilha de queixas... acho mais coerentes então aquelas que nem chegam né, vítimas de seu auto-engano, e ficam vagando por aí só batendo cabeça, não acha ?

    Não conhecia a frase da Jodie Foster, muito muito boa...

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  3. Talvez pra algumas pessoas o roteiro, ao procurar terapia, seja: 1)reclamar, reclamar, reclamar;2)rever a questão com outro olhar;3)começar a pensar em mudar.

    O remédio vem de fora mas a cura está dentro.
    E aí esbarra numa outra coisa que lembrei: a pessoa tem que estar muito a fim de dizer (a si mesma): não deu certo como era, tenho que mudar.

    Lembro que quando a Anna Sharp dizia para as pessoas na palestra que elas estavam ali porque do jeito que era não tinha dado certo, a maioria quicava na cadeira, só faltava bater nela, inclusive nossa amiga. Acho que a pessoa prefere pensar que sim, deu certo, mas pode ser melhor hehe...

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  4. Lutar contra a nossa verdade, que tá lá bem no nosso íntimo, é meio como lutar contra uma espada viva que fica golpeando a nossa mentira.

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