domingo, 4 de julho de 2010

Eternal Sunshine of the Spotless Mind


Ontem revi Eternal Sunshine of the Spotless Mind (2004), com Jim Carey (Joel) e Kate Winslet (Clementine). Impressionante !! Um filme sobre pessoas comuns, cheias das imperfeições, em vez da dicotomia de sempre: bons contra os maus, os perfeitos e os imperfeitos. Como na vida aqui não há nada disso. Há pessoas que estão desorientadas, perdidas, que precisam de uma bússola. E quando nenhuma lhes surge diante dos olhos preferem apagar tudo a digerir os momentos difíceis da sua vida, as estórias infelizes, os momentos que nunca deviam ter existido.

É essa a premissa do filme. É essa também a premissa da vida.

Quem já não desejou ter a oportunidade que este filme oferece ? De apagar o que incomoda e incomodará para sempre ?

Quem já não se arrependeu de algo e quis que isso desaparecesse da memória de alguma forma ? Está na nossa natureza. Uma procura das falhas da natureza humana. Mas é uma procura otimista, do lado bom das coisas.

E se aquilo que apagamos não devesse ter sido apagado ? E se sentíssemos falta amanhã do que nos repugna hoje ? Então o que faríamos ? Será que a vida nos colocaria de novo na mesma linha de onde tínhamos descarrilhado por opção nossa ? Ou será que tudo estaria de fato perdido ? para sempre ?

Apesar de surreal, acho o filme muito simples e lírico. Um hino ao amor apontado ao nosso coração. Mas o que de fato nos prende é a relação amorosa que percorre todo o filme. Apesar de terem tentado apagar as memórias do relacionamento, nunca em momento algum, tivemos duvidas que Joel e Clementine se amam profundamente. Nem era preciso aquele inicio carinhoso ou o final comovente. Mesmo nas discussões ou nos desabafos o amor - aquilo que verdadeiramente atravessa todo o filme - está lá.

Eternal Sunshine of the Spotless Mind merecia um tratado, uma monografia, uma dissertação de mestrado, uma tese de doutorado. Nunca li uma critica cinematográfica que chegue a tocar em algo profundo do que este filme nos tem para oferecer. Pelo contrário. O filme toca-nos de tal forma que a sensação de humanidade que nos acompanha ao acabar o filme torna-se nossa. Só nossa. Impossível de descrever ou partilhar com outros. É algo pessoal e intransmissível. Tal e qual o amor.

Amor - sempre esta palavra tão forte e por vezes usada tão levianamente - que está em todo o lado. Está na relação central do filme, mas também nos aspectos mais periféricos. É o que move todas as personagens desta história. Porque o amor de uns contagia os outros. E mesmo uma vingança amorosa - que também existe pois a balança tem sempre dois pratos - potencializa o reforço do amor. Num final que nos toca mais no coração do que nas lágrimas que descem pelos rostos. Afinal ver esses dois personagens funciona quase como um espelho. Não seremos todos um pouco assim ?

É um filme tocante. É impossível não sentir um bater do coração. Deste filme só não gosta quem se julgar perfeito. Porque todos os outros, como eu, como você, vai-se ver ali retratado. Nas coisas boas e nas coisas más. E desenganem-se aqueles que sairam da sala desiludidos a pensar que iriam ver um " e viveram felizes para sempre". Porque com a vida ninguém sabe se isso vai acontecer de fato.

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