terça-feira, 1 de março de 2011

Central Park


Voltei dos Estados Unidos na semana passada. Dois ou três dias depois, eu não me lembro bem, tive uma noite de sono atormentada por um sonho espetacular: o Central Park estava lotado e eu me encontrava com vários amigos, uma multidão de personagens que fui recolhendo em minhas andanças. Um reencontro com pessoas e idéias passadas, numa espécie de reciclagem sentimental de boas lembranças. Todo mundo estava achando maravilhoso estar lá para alguma finalidade. Era como se fossemos gravar um desses especiais de fim de ano ou alguma coisa assim.

Mas, no fim do sonho, todos desapareciam. Ao olhar pra trás, eu não via mais ninguém. Eu ficava lá, no Central Park, sozinho. Em paz com a vida, mas um tanto solitário. Nem sinal de que aquelas pessoas estiveram ali. Confesso que fiquei estarrecido, com o ar de bom moço distraído. E logo depois acordei – ou interrompi o sono, sei lá, a gente nunca sabe direito como essas coisas acontecem. Só sei que esse sonho parecia espantosamente verossímel. Ele palpitava, fascinava como coisa viva.

Como todos os sonhos, o meu certamente deve esconder significações que o transcendem. O problema consiste em diagnosticá-las corretamente.

Minhas fantasias noturnas correm cada vez mais ferozmente atrás de mim. Realidade e imaginação se fundem no meu universo. Difícil separar passado, presente e futuro.

Meu lado lírico diz que, no fundo, eu queria que todos os meus amigos estivessem comigo. Até mesmo os mais antigos, aqueles que não vejo há tanto tempo. Meu lado trágico questiona o porquê de todos irem embora sem se despedir. Fiquei com a impressão que faltava alguma imagem, alguma cena entre a gravação da mensagem e o meu ‘olhar pra trás’. Algo que não consigo me lembrar.

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