Ainda fascinados com a experiência anterior, a segunda parte da trilogia seria então em Aiuruoca, MG. Foi no parque estadual de Ibitipoca, que descobrimos essa cidade. Partimos ainda com mais entusiasmo do que na primeira viagem – se é que isso era possível.
Numa trilogia, o segundo capítulo é sempre o mais difícil. Tentar superar o sucesso de uma experiência bem sucedida é tarefa árdua.
O auge da expedição acontece logo na chegada a cidade. Depois de pararmos – novamente – na estrada pra fotografarmos as placas, nos deparamos com um morro alto indicando a direção a ser seguida com todas as letras do nome da cidade: AIURUOCA. A empolgação foi grande.
Desafiamos os limites do permitido. Escalamos o morro e cada um de nós se posicionou em uma das letras da palavra. Não antes de, num caso de máxima lucidez, pararmos um estranho motoqueiro e entregar todas as nossas câmeras digitais para que ele tirasse o maior numero de fotos possível, “soltar o dedo” na terminologia de Luísa. Queríamos colher os louros da nossa ousadia.
Parece impertinência ? O que vem depois é muito pior. Eis que lá em cima, a muitos e muitos metros do chão, pendurados em letras gigantes, as câmeras entregues ao estranho, Bela me pergunta: “você trancou o carro né ?”. Eu, com um possível olhar semi-imbecil, respondo: “nossa, eu não devia ter deixado a chave na ignição”. Ainda posso ver o olhar das meninas ao som da minha resposta.
Foi o que aconteceu. Uma paródia. No desatino, todos nós perdemos o juízo e largamos o carro aberto, malas, dinheiro e o pior, a chave na ignição deixada por mim, num caso agudo de oligofrenia.
Minha avó sempre dizia que Deus protege os loucos e as crianças. Não sei em que categoria nos enquadrávamos naquele momento, talvez na fronteira que a razão faz com a demência.
O fato é que a foto ficou ótima !
O nome da cidade vem de ajuru que quer dizer papagaio, na língua tupi e oca, que significa casa. Aiuruoca significa então "Casa de Papagaio". Decidimos então, no dia seguinte subir o Pico do Papagaio numa aventura pra lá de divertida. Partimos da Reserva Ambiental Matutu.

São quase nove quilômetros de trilha, passando por paisagens exuberantes, Mata Atlântica, cachoeiras, bosques de araucárias e bromélias.

Subimos em três horas e meia, com direito a algumas paradas. O topo é fantástico. 2.295 metros de altitude. Sensação total de plenitude e conquista.

O horizonte imenso todo aberto para nós sugerindo mil direções.
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