
Sempre fui uma criança barulhenta. Uma das minhas brincadeiras favoritas era trazer o megafone da minha boca próximo a orelha do meu pai. Só me divertia se pudesse falar pelos cotovelos e fazer um terrível estardalhaço, num volume considerável.
Embora meu irmão achasse que eu era um completo maluco de alguma espécie, meu ego de aço achava engraçado deixar meu pai quase surdo de tanto que eu falava.
Na verdade eu era um exagerado tagarela. Muitas vezes me comportava como um louco. Quando eu estava nas alturas, não me custava nada falar horas seguidas, ás vezes sem nenhuma consciência de que havia uma, duas ou dez pessoas na sala.
Eram falas infindáveis.
Só mais tarde na vida aprendi a me calar.
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