sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Não antes da meia-noite


Há dois dias atrás, meu pai me ligou às 23h50min perguntando se eu estava com a televisão ligada porque estava passando uma matéria sobre o Egito que talvez me interessasse. Levei um susto. Não exatamente pelo horário. Mas sim, por eles não estarem dormindo e arriscarem me acordar.

Passei minha infância toda ouvindo que “falta de sono em demasia afeta a circulação”. Nunca comprovei se isso era verdade ou não. Tenho alguns pacientes médicos que talvez esclarecessem esse ponto, mas também nunca perguntei. Gosto de dormir. Tarde. Bem tarde.

Quando morava com os meus pais, houve poucas noites em que as luzes do meu quarto se apagaram antes da meia noite. O que intrigava a meu pai e aborrecia minha mãe. O que eu fazia de madrugada no meu quarto era o que eles em casa mais queriam saber.

Acho que ela nunca me viu bocejar. Devo ter passado toda a infância e a adolescência numa sinfonia de bocejos, mas nunca na frente dos dois. Bocejos não eram proibidos lá em casa, mas era como dar munição ao inimigo. Primeiro, eles falariam pelos cotovelos. Em seguida, anunciariam o presságio “falta de sono em demasia afeta a circulação”.

Confesso que foi irresistível receber essa ligação.

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