No primeiro dia do outono do ano passado, viajamos para Itaipava. Era aniversário do Diogo e fomos todos passar o fim de semana lá. Quatro carros no total. No meu, estávamos eu na direção, acompanhado de Cris, Babi e Bela, ao som de Snow Patrol. Tai e Déborah estavam num outro carro, provavelmente ao som de The Cardigans. Na verdade, eram duas casas, o que hoje eu dividiria didaticamente em Casa de Luxo e Puxadinho. Como bons fanfarrões que somos, ficamos nós no puxadinho, mesmo no desconforto de dormimos todos um pouco amontoados uns nos outros.
À noite, nosso grupo do Puxadinho resolve sair, comer uma pizza, algo assim. O caseiro jura que não viu esse movimento.
Voltamos três horas depois com uma surpresa: portão fechado. Só para deixar as coisas claras, tratava-se de um portão de ferro de, no mínimo, 3 metros de altura. Ao passar por essa muralha, havia depois quase uma montanha, de 60 graus de ladeira nuns bons 300 metros de distância até chegarmos ao Puxadinho.
Começamos a discutir com calma e maturidade uma solução. E mesmo que nenhum de nós tivesse a menor idéia do que fazer, na duvida, dizíamos: “claro”. Em meio a celulares fora de área e buzinas de carros gritando, lá estávamos nós preparando a tempestade. Inconformados de passarmos uma noite dentro do carro. Nisso, Tai ainda pressente: “Talvez chova”. O nosso espírito comunitário começa a enfraquecer.
Os voluntários não nascem prontos, eles são feitos. Bela, num ímpeto de coragem, sente o chamado da aventura e resolve escalar o portão. Todos aplaudiram. Nessas horas, nada como o apoio de suas próprias bases. Foi a coisa mais difícil que vi ela fazer. Em certo sentido, acho que ela gostou. Eu gostei.
Não acreditávamos mesmo que ela conseguiria. Nenhum de nós. Nem lembro exatamente como ela fez isso. Mas ela conseguiu. De forma tensa, mas com sucesso. Abriu o portão para os dois carros entrarem. Recordando, foi um momento e tanto.
E nem choveu naquela noite.
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