segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Febril


Sempre fui um garoto febril. Não tive nenhuma das doenças típicas de criança. Não tive sarampo, caxumba, hepatite. Nem sequer quebrei perna ou braço. Mas tinha febre. Muita febre. De repente, minha temperatura chegava a 39 graus, sem motivo aparente. Todo o corpo esquentava.

Não devo pintar as coisas mais negras do que eram, mas de tempos em tempos, lá estava eu, com febre, recebendo cartões de condolências da minha avó com um dinheiro no envelope.

Foi no meio de uma febre dessas que ganhei minha primeira bicicleta. Um presente do meu pai de apresse-se-e-saia-logo-dessa-febre. Foi quase um atestado de saúde. Fiquei tão feliz que, mesmo febril, dei três voltas com ela pelo corredor, até começar a ouvir os ultimatos ameaçadores da minha mãe: “Vá escovar os dentes e depois já já pra cama”.

E voltei pro vale dos enfermos.

Um comentário:

  1. Lembrei de:
    "Eu tenho febre
    Eu sei!
    Fogo leve que eu peguei
    Do mar, ou de amar, não sei
    Deve ser da idade..."

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