A primeira vez que fui a Portugal eu tinha 21 anos. Viajei com meu avô, a expressão por excelência da alma lusitana que dava valor às coisas boas da vida, à mesa farta, aos vinhos e aos amigos. Queria mostrar-me às terras pelas quais andou quando era adolescente. Engraçado não ter feito isso com meu irmão. Mas quis fazer comigo.
Foram dois meses juntos, percorrendo Portugal, de Faro até Oporto, passando por Fátima, Guimarães, Coimbra, Viseu, Lisboa. Minhas raízes se ampliaram e engrandeceram. Foi nessa viagem que aprendi sobre a Revolução dos Cravos - dia 25 de abril de 1974 e a substituição de Salazar. Mas aprendi principalmente sobre aqueles que libertaram Portugal do atraso cultural e estrutural provocado pelo regime obscuro. Foi nessa viagem também que entendi de fato a música “Tanto mar” do Chico Buarque.
Nunca mais voltei a Portugal. Meus pais já tinham ido umas duas vezes, mas sem mim. A oportunidade reapareceu nessa euro-familytrip. Sete dias em terras lusitanas, percorrendo alguns lugares que meu avô havia me apresentado.
Percorremos Lisboa de ponta a cabeça. O Castelo de São Jorge e sua localização privilegiada permitindo a vista de toda a cidade. Como que repartindo a cidade em leste (onde estão os bairros de Estefânia, Alfama e Graça) e oeste (Bairro Alto, Amoreiras, Lapa), existe um eixo imaginário, que partindo do Rio Tejo, atravessa a Cidade Baixa, segue pela rua Augusta, praça do Rossio, Av. da Liberdade e chega à Praça do Marques do Pombal.
O Monumento aos Descobrimentos está situado às margens do rio Tejo e homenageia todos aqueles que enfrentaram os oceanos e deram a Portugal, na época, o controle de praticamente metade do mundo. Foi inaugurado em 1960, em referência aos quinhentos anos da morte do Infante D. Henrique, patrono das grandes conquistas marítimas de Portugal. Em sua lateral estão representados marinheiros, navegadores, cartógrafos, estudiosos e todos aqueles que contribuíram para o que passou a ser conhecido como Era dos Descobrimentos.
Nos arredores de Lisboa, fomos ainda a Cascais e Estoril. No dia seguinte, Sintra.
Sempre senti saudades das terras lusitanas. Saudades sem ter de quê nem de quem. Talvez porque trago Portugal comigo, no meu coração. Afinal, tenho uma costela portuguesa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário