segunda-feira, 14 de junho de 2010

O primeiro a ir embora


Fábio não foi meu primeiro amigo peludo. Na verdade, foi Branquinho, um gato vira-lata bem alvo, que encontrei abandonado, perto da rua onde eu morava. Na época eu tinha oito anos, uma casa com jardim e uma vontade imensa de ter um cachorro. Decidi trazê-lo para casa - o que era contra todas as normas e regras da família - na ilusão de comover os corações dos meus pais.

Bem, se minha mãe não o rejeitou inteiramente, sempre o aceitou com frieza e com aquele distanciamento.

Meu pai era diferente. Chegava a ser hostil. Não fazia nenhum esforço para disfarçar sua aversão por ele. Pior: não dava nenhum indício de que as hostilidades pesassem em sua consciência.

Na verdade, tanto meu pai quanto minha mãe torciam a favor de uma dissidência na minha relação com meu mais recente amigo.

Tentei não me incomodar muito com tudo isso. Resolvi dar prosseguimento ao caso. Passadas 24 horas, ele ainda não havia sido expulso de casa, o que era um tipo de sinal verde, considerando quem eram os meus pais. Optaram por fazer voto de silêncio.

Convivemos juntos por quase uma semana, cinco dias para ser bem exato. Mas Branquinho fugiu, pulando pela janela, e a seguir, pelo muro da minha casa. Não sei se percebeu que o clima não era lá muito favorável à estadia dele ou se foi outra coisa mesmo. Mas fiquei bem triste. Afinal, ele nem sequer se despediu.

Foi o primeiro amigo a ir embora da minha vida.

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