
Meu nome ecoou por toda a casa. A voz vinha de uma mulher que sozinha representava toda uma multidão: minha mãe.
Ela tinha descoberto que foi o caçula quem havia organizado aquele furacão na noite anterior.
Meu nome ecoou novamente. Senti o estardalhaço da fanfarra de clarins e da tropa de tambores, num volume pra lá de considerável.
Agora eu estava por conta própria. Eu queria que acontecesse algum terremoto, uma guerra nuclear surpresa, mas a vida nunca é tão misericordiosa assim.
Desci a escada como se estivesse indo para o meu próprio funeral. Agora, a gordura estava no forno, iam começar a me fritar.
Minha mãe me lançou aquele olhar de você-está-acabado-de-uma-vez-por-todas e começou a fazer as perguntas inevitáveis. Eu só tinha uma defesa: insanidade. Nessa hora, lembro, tive um acesso de tosse. Porém, não quis reduzir sua duração.
Sabia que estava errado. Afinal, nunca fui proibido de dar festas, salvo em sua ausência. Mas ela continuou a lição de moral, enquanto eu sentia o metal ressoando em sua voz
Nesse instante, tive outro acesso de tosse e, por mais estranho que possa parecer, verdadeiro.
Eu tinha q resolver a situação o mais rapidamente. Mas tudo que podia fazer era me desculpar. E aceitar o castigo de não andar de bicicleta durante duas semanas.
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