terça-feira, 25 de agosto de 2009

Jaqueline


Não tenho dificuldade de revisitar o passado. Ontem mesmo, ouvindo música, uma canção do Keane me fez reviver um momento glorioso: a primeira vez que vi Jaqueline, minha adorável Mrs. Miller.

Fomos apresentados por uma grande amiga nossa em sua festa de aniversário e passamos a noite toda juntos, conversando, dançando, bebendo e descobrindo tantas coisas em comum. Tive com ela uma das amizades mais intensas de toda minha vida, talvez pelo momento acelerado que nós dois estávamos vivendo. Trilhávamos um caminho de demolições e construções.

Nossa agenda juntou-se de tal forma, como a muito não acontecia. Festas, badalações, atmosfera de boemia, noites esfumaçadas, eventos que iam de segunda a segunda. Vivemos nosso apogeu, numa vertente arrebatadora, com o sucesso subindo-nos a cabeça. Sentíamos que o tempo estava ficando mais rápido que a nossa própria vida, que parecia encolher. Uma temporada maravilhosa, porém tumultuada e pessoalmente desgastante. Diante de muitos questionamentos, ainda me perguntava: “Será que você está no caminho certo?”.

Seis meses depois, ela estava morando na minha casa. Estávamos numa felicidade idílica. Criei um personagem agitado com todas essas badalações. Mas havia outro, ali do lado, observando tudo e criticando rigorosamente aquele personagem. Incompatível com as coisas que acreditava. O que me deixava mais confuso ainda.

Fiquei engessado em algo que eu não era. Depois de tantos enganos, tantas opiniões e tantos fantasmas, precisava refletir sobre o que eu queria. Era difícil lutar contra tudo em torno de mim.

Em seguida, inicio um namoro, um dos mais importantes da minha vida. O que começou como uma simples aventura transforma-se num relacionamento duradouro e, após seis meses, resolvemos iniciar uma vida a dois, o que me leva a um novo casamento. Atitudes e conceitos reformulados, todo o clima acelerado se converge para um clima intimista.

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