quarta-feira, 7 de julho de 2010

Adolescência 12 - No meio fio


Sento-me no meio fio. Esperando pelo meu pai. Esfrego minhas mãos no fino blusão de brim. Devia entrar. Apanhar um blusão mais quente. Mas não quero correr o risco.

Não que ela se incomode. Ou diga algo. Mas a barreira já foi pulada uma vez. Por hoje, chega.

Quase sete horas. Será que ele se esqueceu ? Por um momento, desejo que ele tenha se esquecido. Mas logo depois rezo para que não. Ela teria que me dar carona. Tem consulta no médico. Chegaria tarde. O colégio fica do outro lado. Atravessaríamos a cidade sozinhos no carro. Eu não quero dizer nada errado.

Puxa, pai, não me faça esperar aqui até ela sair !

Um comentário:

  1. Não sei se me expressei bem, quis dizer que a "essência" contida nesse teu texto me lembrou o filme.

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