segunda-feira, 19 de julho de 2010

Pilha de queixas 11

J., 30 anos, namora há dois uma mulher de 27. Ele diz que “o namoro vai mal há alguns meses. Ela está muito estranha e distante”. Não pensa em conversar com ela, perguntar o que está acontecendo. Acha melhor “esperar um pouco”, talvez porque sinta que tenha o controle da relação. Ainda que tudo fique por um fio, J. prefere esperar. E enquanto espera, pensa que a namorada fará o mesmo. Bem, essa é a sua crença.

Insiste: “Ainda estamos juntos, só que precisamos de um tempo. Estamos mal, mas nada demais. Uma hora a gente fica bem de novo”. O que ele faz ? A rigor, nada. J. prefere permanecer com a sua crença: As coisas estão mal, mas ele está razoavelmente bem porque sabe que as coisas vão ficar bem.

Segundo muitos, as coisas sempre ficam bem. Seria um conforto pensar assim ?

J. não pensa que nesse meio tempo, enquanto ele e sua crença esperam, ela pode assinar o atestado de óbito, conhecer outra pessoa e fazer tudo que ela gostaria de ter feito com ele.

Só nos resta aguardar e torcer por sua crença.

2 comentários:

  1. Não sei ao certo por que mas lembrei da "sombra" de Jung, o lado reprimido inconsciente que é projetado no outro, como se ele projetasse nela alguma vontade, só não ficou claro pra mim se seria vontade de que tudo fique bem ou vontade de que tudo acabe mesmo.

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  2. Interessante né... conscientemente, é uma vontade de que tudo fique bem e não dê muito trabalho. Mas talvez possa haver mesmo alguma coisa por trás disso, um desejo inconsciente de que tudo acabe mesmo. Vamos aguardar a crença dele.

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