M. quer casar. Tem 36 anos, e namora há quatro. Pressiona o namorado há dois, que alega não ter condições financeiras para casar. Com isso, ela o considera "um autêntico perdedor, um loser", sem ambição, “um idiota fracassado que não sabe em que planeta vive”.
Pergunto sobre alguma qualidade dele. M. diz que seu namorado tem “um otimismo quase delirante, confia muito na sorte, isso é bom pra ele, já que ele é irresponsável”, e daí continua “como não tem competência, sempre arruma uma forma de se desculpar das burradas que faz, sempre pondo a culpa nos outros”.
O mais interessante é que mesmo o descrevendo como um tipo aloprado, M. quer casar. Com ele. Penso com quem M. realmente quer casar ? com o autor do tratado sobre o fracasso ou com alguma idéia de que aos 36 anos ela já deveria estar casada.
Ela me pede uma indicação de um analista para o seu namorado. Já antecipo sua frustração. No fundo, ela quer que alguém mostre que ele tem que casar. Com ela. Árdua tarefa.
Alega ainda que “foi muito investimento” e não vai “deixar barato, nem perder quatro anos assim”. Então o objetivo era só o casamento ? Ela não responde, diz que assim não estou ajudando. Talvez não esteja mesmo. M. tem um plano. Precisa de cúmplices para a sua farsa. Não estou fazendo esse papel. Tento fazer outro. Outro não lhe interessa. Instaura-se um impasse.
Ela diz que volta semana que vem.
Deve ter quem ache que amor, relacionamento, casamento são como promoção de funcionário público, em que se premia por tempo de serviço e avaliação de desempenho. O que me chama atenção é que os tais quatro anos já se perderam, porque foram vividos como um meio, não como um fim. Me lembrou uma frase que fechava o capitulo de Medium outro dia:
ResponderExcluirTime is priceless,yet it costs us nothing.
You can do anything you want with it...
but own it.
You can spend it,but you can't keep it.
And once you've lost it,
there's no getting it back.
It's just... gone.
Pois é, mesmo quando o status quo está mudando, há quem se prenda a essas coisas. Não quer perder os 4 anos, mas a vida toda pode? E não sei porque tanta gente acha que psicanálise serve você poder reclamar da vida à vontade (essa não é a definição não, né? =P )
ResponderExcluirSaudades! Beijo enorme!
nossa, adorei os dois comentários.... tommie, o lance do tempo de serviço, da promoção é maravilhoso, vou utilizar... e o seu Babi, bem interessante né, comparar 4 anos com a vida toda, aí já se vê o sacrifício que é tudo isso, e não querer abrir mão... Babi, quero vc mais presente, sempre !!
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